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Disputa para UFJF atrai quatro nomes


Por EDUARDO MAIA

16/12/2015 às 07h00- Atualizada 17/12/2015 às 14h27

Campus da UFJF foi palco, este ano, de greve de professores, servidores e protesto de alunos ( MARCELO RIBEIRO/08-12-15)

Campus da UFJF foi palco, este ano, de greve de professores, servidores e protesto de alunos ( MARCELO RIBEIRO/08-12-15)

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Atualizada em 17/12/15, às 14h30

Às vésperas do prazo para as inscrições das chapas na consulta acadêmica que irá definir o nome do novo reitor da UFJF, entre amanhã e sexta-feira, três candidaturas são cotadas como certas, e uma pode ser definida hoje. No campo das especulações e representando grupos distintos, já estão confirmados o pró-reitor de Obras, Rubens de Oliveira; o superintendente do Hospital Universitário (HU), Dimas Augusto Carvalho de Araújo, em aliança com o diretor da Faculdade de Engenharia, Hélio Antônio da Silva; e o professor da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis, Marcus David. O professor do Departamento de Física, Flávio Takakura, deve se decidir hoje.

O processo, no entanto, ocorre em um momento delicado da instituição. Marcada por movimentos de contestação durante todo o ano, iniciados com a ocupação da Reitoria, em maio, e aprofundados com as greves de técnicos e professores, a UFJF enfrentou um ano difícil em termos orçamentários e financeiros, com a dificuldade crescente para garantia de verbas junto ao Governo federal. Sem contar a própria crise institucional aberta com a renúncia do ex-reitor Júlio Chebli, em novembro. Diante do contexto em que se encontra (ver quadro), o novo reitor terá que demonstrar conhecimento sobre as demandas da instituição e, principalmente, habilidade para conduzir a universidade, mantendo o diálogo interinstitucional com o Ministério da Educação (MEC).

Da ala da atual administração, contando com o apoio do vice-reitor no exercício da Reitoria, Marcos Chein, o nome indicado pelo grupo é o do pró-reitor de Obras, Sustentabilidade e Sistemas de Informação, Rubens de Oliveira. O pré-candidato confirmou à Tribuna sua intenção no pleito e afirmou que o programa da chapa, ainda em processo de elaboração, pretende oferecer uma terceira via para a universidade, distanciando da disputa entre os grupos dos ex-reitores Henrique Duque e Margarida Salomão. “A universidade virou plataforma para campanhas eleitorais e precisa estar mais voltada para ela. Queremos abordar as questões acadêmicas, saindo da polaridade”, afirma. O vice escolhido é pró-reitor de Extensão, Leonardo Carneiro, professor da Geografia.

A chapa composta pelo pró-reitor representa o grupo dissidente do rompimento com o ex-reitor Henrique Duque. Durante as primeiras especulações sobre a renúncia de Chebli, em abril deste ano, circulou pela UFJF a informação de um possível racha na equipe apoiada por Duque, abastecida pelas exonerações de cargos de confiança dos nomes fortemente ligados ao ex-reitor. Em maio, o vice-reitor Marcos Chein entregou uma carta aos estudantes que ocupavam a Reitoria, na qual dizia que a UFJF passava por uma “fase de transformação e mudanças”. À época, Chebli estava afastado das atividades administrativas, e as exonerações foram assinadas pelo próprio vice. Em outubro, Duque deixou a função de diretor de Desenvolvimento e Representação Institucional, alegando razões pessoais. O cargo deverá ser extinto por uma reformulação do organograma da instituição, que será votada na reunião do Consu ainda nesta semana.

Grupo de Duque ainda não definiu chapa

Ainda que afirme que irá se envolver de forma mais discreta no pleito da UFJF, já que pretende se empenhar em uma possível candidatura à Prefeitura de Juiz de Fora, Duque deverá apoiar a chapa composta pelo atual superintendente do Hospital Universitário (HU), Dimas Augusto Carvalho de Araújo, e pelo diretor da Faculdade de Engenharia, Hélio Antônio da Silva. Hélio explica que ambos já haviam manifestado interesse em se candidatar no pleito de 2014 dentro do grupo do ex-reitor, mas a decisão final apontou Júlio Chebli e Marcos Chein. Segundo ele, o cabeça da chapa ainda não foi escolhido. O mote da campanha “será garantir a governança da universidade, promovendo a serenidade, buscando apoio em todas as unidades”, afirma Hélio.

Caracterizando-se como independente, o ex-diretor do Centro de Educação à Distância (Cead), Flávio Takakura, que integra o mesmo grupo, avalia a inserção de seu nome na disputa, o que deve ser definido hoje. Ele afirma participar de um grupo que tem visão “institucionalizada” da UFJF, para que “cresça nas suas atividades fins”. Exonerado da função de diretor do Campus de Governador Valadares em maio deste ano, durante a reforma administrativa assinada por Chein, Takakura avalia que a atual administração apresentou um bom programa durante a campanha, mas que não teve condições de executá-lo. Hélio Antônio, da Faculdade de Engenharia, afirma esperar o apoio do colega, compondo a chapa referendada por Duque.

Marcus David pretende voltar à disputa

Nome forte da oposição a Duque e segundo colocado na disputa que elegeu Chebli em 2014, o ex-diretor da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis Marcus David repetirá a dobradinha com a ex-diretora da Faculdade de Enfermagem, Girlene da Silva. A chapa obteve 36% dos votos naquela eleição, com um duro discurso de questionamento à gestão Duque. “Vamos apresentar um programa alternativo a todo este estado que a universidade vem vivendo, sem dúvida impactada pela conjuntura nacional, mas profundamente agravada pela caótica gestão. Vamos voltar a tomar decisões colegiadas e não na mesa do reitor. É uma mudança que se faz mais que necessária”, afirma. Marcus David, que também foi pró-reitor na gestão da ex-reitora e atual deputada federal Margarida Salomão (PT), busca apoio junto aos professores de Governador Valadares.

Críticas

Dentro de uma discussão que ganhou força principalmente durante os movimentos grevistas de professores e técnicos, surgiu a Frente de Esquerda em Defesa da Universidade Pública, composta também por alunos. Em reunião na última terça-feira, o grupo decidiu não apresentar nomes para concorrer ao pleito. A Frente já lançou notas em sua página no Facebook, onde manifesta o descontentamento com a situação da universidade, em relação aos cortes nos repasses, à situação do Campus de Governador Valadares e faz críticas à expansão da UFJF promovida pela gestão de Duque. “Tais erros materializaram-se em enormes dificuldades de permanência dos estudantes e em condições de trabalho precarizadas, principalmente para os trabalhadores terceirizados, boa parte deles demitidos”, diz a nota.

UFJF quer concluir ano na normalidade

Em relação aos problemas apontados, a administração da UFJF afirma estar realizando todos os esforços internos, administrativos e processuais para concluir o ano em situação de normalidade. Ainda segundo a instituição, os pagamentos das despesas referentes ao mês de dezembro estão sendo realizados de forma criteriosa, à medida que são feitos os repasses financeiros pelo Ministério da Educação. Dos temas elencados, alguns serão discutidos pelo Consu em reuniões amanhã e sexta-feira.

Da parte do processo eleitoral, desde a exoneração de Chebli em 9 de dezembro, já está sendo contado o prazo de 60 dias para que o Conselho Universitário (Consu) indique três nomes ao MEC na chamada lista tríplice, sendo um deles o da consulta acadêmica realizada de forma paritária entre estudantes, professores e técnicos.O processo poderá ser realizado em dois turnos, com votações nos dias 20 e 21 de janeiro, no primeiro turno, e 3 e 4 de fevereiro no segundo. A chapa vencedora deverá indicar ainda outros dois nomes de reitor e vice para compor a lista tríplice que será encaminhada pelo Consu ao MEC.