Saguão da Reitoria recebe mostra sobre a fotografia de Alfredo Ferreira Lage

Alfredo registrou uma pouco habitada Juiz de Fora no início do século XX

Belo Horizonte, Caxambu e Poços de Caldas também foram retratadas pelas lentes do artista


Alfredo Ferreira Lage pode ser incluído na categoria dos homens que, entre o final do século XIX e o início do século XX, faziam as coisas acontecerem. Formado em direito, foi também empresário, jornalista e diretor do jornal “O Pharol” e vereador. Mas a sua grande contribuição foi no mundo das artes, tendo aberto o Teatro Juiz de Fora com o irmão Frederico, além de ser o grande responsável pela fundação do Museu Mariano Procópio. Já o seu lado artista pode ser novamente observado na exposição “Simetria e permanência: a arte na fotografia de Alfredo Ferreira Lage”, que será aberta nesta terça-feira no saguão da reitoria da UFJF. São 25 imagens capturadas por Ferreira Lage na primeira década do século passado e que fazem parte do acervo do Museu Mariano Procópio, que ainda possui cerca de 35 mil itens colecionados por Alfredo durante vários anos.
A ligação dos Ferreira Lage com a fotografia é antiga e conhecida em Juiz de Fora, mas a oportunidade de ver o trabalho de Alfredo não deixa de ser uma viagem no tempo em que o Brasil tinha cerca de 80% de sua população vivendo na área rural. E este é um aspecto da mostra destacado pelo seu curador, Pedro Afonso Vasquez, uma vez que Ferreira Lage registrava uma paisagem tipicamente brasileira e caracteristicamente mineira, imortalizando detalhes do Rio Paraibuna e de cidades como Juiz de Fora, Caxambu, Lambari e Belo Horizonte, entre outras, que ficariam perdidos no passado sem o seu trabalho. “São os casebres, a moradia do trabalhador rural e ele fazendo o serviço ao ar livre, as vacas pastando, a vegetação típica do país. Ele tinha dois impulsos: um era o de seguir a fotografia artística internacional (eminentemente alegórica, posada, buscando contar uma história, ou então retratando cenas familiares), e o outro, valorizar nossas paisagens. Você vê que ele não fotografava o ambiente urbano, e sim o rural, tinha a sensibilidade de trazer a natureza disso tudo.”
Pedro acrescenta ainda, além do valor artístico da obra de Alfredo Ferreira Lage (tanto que ele foi indicado por seus pares para ser o primeiro presidente do Photo Club Rio de Janeiro em 1903), a importância histórica dos registros feitos por ele, uma vez que o fotojornalismo tomou impulso no país apenas na década de 1940, quando publicações como a revista “O Cruzeiro” passaram a utilizar a fotografia como elemento frequente das reportagens – anos depois do que se via na Europa e Estados Unidos, que já se valiam do fotojornalismo no período entre as duas grandes guerras. “Ele foi um dos maiores incentivadores do fotoclubismo no Brasil, que chegou décadas antes do fotojornalismo. Apenas pessoas abastadas podiam adquirir o material, que era caro, e que também tinham tempo para estudar”, acrescenta.
Diretor superintendente da Fundação Mariano Procópio – que cedeu o material para a mostra -, Douglas Fasolato lembra que a ligação da família Ferreira Lage com a fotografia era antiga, remontando aos primórdios do século XIX: Mariano Procópio, o pai de Alfredo, conheceu Louis Daguerrre, o criador do daguerreótipo (um dos precursores das máquinas fotográficas); sua prima, a Viscondessa de Cavalcanti, era, assim como os irmão Alfredo e Frederico, colecionadora de fotografias; o célebre fotógrafo Marc Ferrez chegou a passar por uma fazenda da família. “Alfredo começou a fotografar em Lambari (MG), ainda no século XIX, e reuniu uma das maiores e mais importantes coleções do país, que está no Museu Mariano Procópio. Muitos dos seus trabalhos, mesmo sendo ele e seu irmão fotógrafos amadores, foram premiados no Brasil e no exterior”, relembra.
Douglas acrescenta, ainda, que a fundação do Photo Club Rio de Janeiro, há mais de um século, ao lado de Sylvio Bevilacqua, Guerra Duval e Barroso Neto, foi importante para que ele adquirisse experiência e abrisse ao público, em 1921, na chácara da família, o Museu Mariano Procópio, que desde 1915 já recebia visitas particulares. “A exposição é uma excelente oportunidade para conhecer sua trajetória.”
SIMETRIA E PERMANÊNCIA: A ARTE NA FOTOGRAFIA DE ALFREDO FERREIRA LAGE
Abertura nesta terça-feira, às 19h30. Visitação de segunda a sexta-feira, das 7h às 23h, e sábados das 8h às 14h
Saguão da Reitoria da UFJF
(Campus)








