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Braços e barras em ascensão


Por GUSTAVO PENNA

31/10/2015 às 07h00

Tribo Calistenia costuma se exercitar no Campus da UFJF ( LEONARDO COSTA/29-10-15)
Tribo Calistenia costuma se exercitar no Campus da UFJF ( LEONARDO COSTA/29-10-15)

Com a força de apenas um braço, o atleta se ergue sobre uma barra fixa em um movimento suave e controlado. Uma demonstração da força e autocontrole adquiridos com a calistenia, esporte que usa como ferramenta de treinamento o peso corporal e que tem conquistado um número crescente de adeptos no Brasil. Já inserida na modalidade, Juiz de Fora reúne um grupo com dezenas de praticantes e será representada hoje pelo atleta Neto Sama na competição Expo Battle, em São Paulo.

“O barato desse evento não é saber quem é o melhor. A gente não se importa com isso. O pessoal que vai competir na categoria avançada tem um grupo no WhatsApp e nos comunicamos muito. Ficamos brincando que, se um fizer determinado movimento, vai ferrar com os outros. Essa competitividade reforça a amizade e ao mesmo tempo promove o esporte, que está em ascensão no mundo inteiro”, diz Sama, lembrando que esse tipo de atividade já era adotada e incentivada no passado, embora em um formato diferente, com polichinelos, flexões e paradas de mão.

“Todo esporte evolui. Basta olhar o parkour e o skate de antigamente. Todos evoluíram. Já recebi críticas de pessoas dizendo que não seria um esporte técnico, que não estaria dentro dos parâmetros da escola russa de calistenia. Mas o esporte evolui. O principal problema que acaba com qualquer esporte que possa surgir é você limitar e padronizar demais. Isso é uma arte. Você não limita a arte.”

Aos 21 anos, o atleta dedicou seis deles à calistenia e ao street workout (ou “treino de rua”). Vivendo em diversas regiões do Brasil, foi em Juiz de Fora que encontrou os companheiros mais envolvidos com o esporte. Há quatro meses formou a Tribo Calistenia, uma equipe sem fins lucrativos que reúne atualmente oito membros fixos, embora atraia mais de 30 praticantes para as atividades.

“Eu não escolhi nem chamei ninguém. Os membros da equipe se encontraram. Chegamos à conclusão de que já éramos uma equipe. E tem muito mais gente que pratica. Temos um grupo pelo qual distribuímos vídeos e informações para os iniciantes, uma proposta diferente”, destaca Neto Sama, que terá o apoio técnico do companheiro de equipe Antônio César durante o duelo com os outros 15 participantes da categoria avançada.

“Estarei lá para o que o Neto precisar, avaliando os movimentos que os concorrentes estão fazendo. Vou ter a oportunidade de ver atletas que estão muito acima do meu nível e tenho muito o que aprender também”, afirma Antônio César, que pratica a calistenia há pouco mais de um ano. “Comecei a treinar por querer fazer o ‘muscle up’, que é você puxar a barra e depois empurrar o corpo acima dela. Assim que eu consegui, descobri que esse esporte estava dentro de mim. Realmente me apaixonei e não parei mais.”