Polícia Militar mapeia ação de suspeitos e eleva prisões

Policiais do 27º Batalhão de Polícia Militar (BPM) contam com uma nova ferramenta para identificar e retirar suspeitos de circulação nos cerca de 130 bairros sob sua responsabilidade. A unidade adotou uma metodologia de trabalho conhecida entre os militares como Top 20. Trata-se de uma listagem que traz os nomes de 20 autores de crimes com mandados de prisão em aberto e que continuam cometendo delitos, como homicídios, assaltos à mão armada e tráfico de drogas. Segundo dados do 27º BPM, com a estratégia, houve acréscimo de 80% de cumprimentos de mandados de prisão expedidos pela Justiça no período de janeiro a setembro.
Durante os nove primeiros meses do ano, 171 autores de delitos que estavam foragidos foram capturados. No ano passado, no mesmo período, o número acumulado chegou a 95 prisões. “Retirar estes criminosos das ruas gera um grande impacto positivo na segurança da cidade, pois nossos dados indicam que a maioria dos crimes é praticada por poucos e pelos mesmos criminosos. Quando há a prisão de um ou dois deles, há uma incidência na redução de crimes. Então, o Top 20 nos ajuda a qualificar o autor, o que nos faz chegar a ele de forma mais rápida”, avalia o assessor de comunicação organizacional do 27º BPM, tenente Luiz Orione.
A eficácia da iniciativa, que atualmente funciona nas zonas Norte, Sul e Cidade Alta, pode ser expandida para todas as áreas de Juiz de Fora. “Cada comando de unidade tem adotado boas práticas para reduzir os crimes na sua área de atuação. Isso é uma tônica do comando da 4ª Região da PM no município e nas cidades da região. Como é um método que está sendo feito de forma diferente, porque seleciona as pessoas pela localidade onde reside, pela modalidade de crime que foi condenada, contribuindo para retirá-las de circulação, há um impacto positivo e pode levar as outras unidades da PM a adotarem a medida como uma forma de controle da criminalidade”, destacou o comandante do 27º BPM, tenente-coronel Sebastião Perpétuo Justino.
Na verdade, o Top 20 é um mapeamento no qual estão listados 20 autores de crimes com mandado de prisão em aberto. O relatório é realizado com base em informações da Justiça e colhidas em todas as companhias subordinadas ao 27º Batalhão. A listagem apresenta nome e foto do bandido, seu modus operandi, tipo de veículo que costuma usar, tipo de arma utilizada, histórico com antecedentes criminais e dados do próprio mandado de prisão. As informações são avaliadas pela seção de estatística do Batalhão, responsável por alimentar o Top 20. É uma relação impressa e fica sob controle dos comandantes de unidades, que repassam as informações aos policiais que estão atuando nas ruas. “O mapeamento também é alimentado com informações colhidas pelos próprios policiais e, quando ocorre um crime, os militares já até sabem quem o cometeu devido a suas características. Quando é realizada a prisão de um indivíduo que consta no Top, automaticamente outro criminoso passa a fazer parte dele e passamos a procurá-lo”, acrescenta o tenente Luiz Orione.
Foco em homicídios, assaltos e tráfico
Este trabalho de análise de dados realizado pela Polícia Militar não pode ser comparado a uma investigação. De acordo com o assessor de comunicação organizacional do 27º BPM, tenente Luiz Orione, não existe conflito com a atuação da Polícia Civil. “É uma utilização de dados de forma focada a fim de identificar e localizar autores de crimes, já que aqueles que fazem parte do Top 20 têm mais a atenção das equipes que estão nas ruas. Hoje o policial militar tem em mente que cumprir um mandado de prisão é levar mais segurança para a região onde ele atua. Com base nas características apresentadas na listagem, a equipe já consegue direcionar sua atuação e ter mais chances de capturar o criminoso. Por exemplo, sabemos que certo autor de crimes costuma utilizar tal veículo, assim as equipes ficam mais atentas para este modelo de carro”, afirma Orione, ressaltando que o Top 20 não funciona como uma escala do autor mais perigoso para o menos. “Nosso foco são homicídios, assaltos e tráfico de drogas, e 90% dos nomes na lista já praticaram ou estão praticando este tipo de crime. A participação da comunidade é importante, pois ela tem nos passado informações para também alimentar o banco.”
Repressão qualificada
O Top 20 é uma ferramenta que foi desenvolvida pensando na repressão qualificada. “A PM trabalha com grande foco na prevenção, numa tentativa, ao máximo, de que o delito não venha a acontecer. Todavia, depois que ele acontece, entra em campo a repressão qualificada, que é uma forma de trabalhar com inteligência e foco tão somente no autor do crime”, conclui Orione.







