Obras do Ginásio Municipal de Juiz de Fora estão paradas desde outubro

Empresa responsável pelo serviço informa que, “fluxo de caixa contratual, extremamente desfavorável, não permitiria à MBP realizar o contrato”; PJF ainda não se posicionou

Por Júlio Black

07/12/2017 às 07h00

Tribuna esteve no local na tarde desta quarta (6) e constatou completa ausência de máquinas e funcionários na construção (Foto: Fernando Priamo)

Iniciadas há mais de uma década, exatamente em novembro de 2006, as obras de construção do Ginásio Poliesportivo Jornalista Antônio Marcos, o Ginásio Municipal, estão paradas desde o final de outubro. A Tribuna recebeu informações de moradores do entorno da construção, localizada ao lado do Estádio Radialista Mário Helênio, no Bairro Aeroporto, de que os serviços no local teriam sido suspensos há cerca de um mês, quando operários, equipamentos e demais insumos para a construção deixaram de ser vistos.

A reportagem da Tribuna entrou em contato com a empresa responsável pelo serviço, a Empresa Metalúrgica Valença Indústria e Comércio Ltda., do Grupo MBP, que confirmou a paralisação das obras desde o final de outubro. Segundo e-mail enviado pela empresa, “o fluxo de caixa contratual, extremamente desfavorável, não permitiria à MBP realizar o contrato, em virtude da crise econômica que afeta quase todas as empresas do país. A MBP propôs uma transição legal e suave para a 2 colocada, de forma a não prejudicar o andamento da obra”.

A reportagem da Tribuna esteve no local no início da tarde desta quarta-feira (6) e constatou a ausência total de funcionários, equipamentos e materiais para a construção. A reportagem encontrou o futuro ginásio com ares de abandono, com acesso facilitado para qualquer pessoa e água empoçada. O anel superior das arquibancadas continua inacabado, com vergalhões aparentes, e é possível encontrar muitos restos de materiais. Além disso, não há qualquer tipo de vigilância para impedir a entrada de pessoas estranhas.

A Tribuna entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura e também da Secretaria de Obras para obter um posicionamento desde a tarde da terça (5) e, até o fechamento desta edição, na noite de quarta (6), não obteve retorno.

Trajetória de promessas, escândalos e paralisações

A construção do Ginásio Municipal é daquelas histórias que parecem não ter fim, com vários capítulos marcados por promessas, empenho de verbas, início de obras, paralisações, abandono e até mesmo prisões. Tudo começou em abril de 2015, quando o então prefeito Alberto Bejani anunciou a construção do equipamento esportivo, na época orçado em R$ 7 milhões, sendo que a Caixa Econômica Federal liberou R$ 1,4 milhão para a construção em novembro do mesmo ano.

O passo seguinte aconteceu apenas em novembro de 2006, quando foram iniciados os serviços de terraplanagem, previstos para durar quatro meses. Mais à frente, em dezembro de 2007, o Ministério do Esporte repassou outros R$ 5,8 milhões.

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A história da construção tomou novos rumos em novembro 2008, com um escândalo: a prisão de Bejani durante a operação Pasárgada, da Polícia Federal, que bloqueou ainda as verbas para a construção. Com as obras paradas, nova licitação foi feita quase dois anos depois, em outubro de 2010, vencida pela Ribeiro Alvim Engenharia. Nesse ponto, o valor para erguer o ginásio chegou a R$ 14,5 milhões.

O serviço, porém, só foi reiniciado em julho de 2011, com a finalização dos vestiários e início da concretagem das arquibancadas. Em novembro de 2012, as obras foram paradas por volta de verbas. Neste momento, o orçamento também havia dado outro salto, chegando a R$ 20 milhões – quase três vezes o valor inicial.

Em janeiro de 2015, o atual prefeito, Bruno Siqueira, tentou buscar recursos para a retomada das obras. O convênio que injetou novos valores ao projeto – R$ 12 milhões, foi assinado em outubro do mesmo ano, quando o então Ministro dos Esportes, George Hilton, visitou Juiz de Fora. A licitação ocorreu em agosto de 2016, vencida pela Empresa Metalúrgica Valença Indústria e Comércio Ltda., que apresenta valor pouco abaixo de R$ 17 milhões.

Retomada e nova suspensão

(Foto: Fernando Priamo)

A ordem de serviço foi dada cerca de dois meses depois, em outubro, mas o segundo reinício das obras se deu apenas em março deste ano, após aval do Corpo de Bombeiros. Os serviços tiveram início no mesmo mês, com a previsão de que as arquibancadas fossem concluídas até o final do ano, sendo que a previsão para o término da cobertura seria de 18 meses (setembro de 2018).

Em junho, a Secretaria de Obras informou que o anel de arquibancadas estaria concluído em agosto, e que as obras da cobertura seriam iniciadas ainda este ano. Na ocasião, a concretagem das rampas de acesso e escadas também estava sendo executada.

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