O Brasil dos bacharéis

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Adicionar Tribuna de MinasTer diploma de bacharel em qualquer curso superior já significou muita coisa no passado. Hoje, o Brasil está mudando. Dias atrás, o Ministério da Educação (MEC) proibiu a realização de vestibulares no próximo ano em um total de 207 cursos. Em 90 deles, a situação é tão grave que 16.903 estudantes já aprovados no vestibular terão que buscar vagas em outras instituições. O Governo federal faz propaganda anunciando aumento de matrículas nos cursos superiores, mas a eficiência e a eficácia é que se danem.
Os exames da OAB, nos quais mais de 80% dos bacharéis não conseguem a carteira de advogado, demonstram a má qualidade do ensino a eles ministrado. O problema é que não é só entre os advogados que esta situação existe. Bacharéis em medicina, economia, engenharia e outras profissões não ficam atrás. Para 2013, 185 instituições privadas e até públicas, de um total de 1.772, terão suas matrículas de calouros congeladas. É a primeira vez que o Conceito Preliminar de Curso (CPC) é feito no Brasil, e aqueles que obtiverem repetidamente o conceito um ou dois na escala até cinco poderão sofrer severas punições, e esta avaliação irá também verificar se as mudanças necessárias e prometidas estão sendo implementadas.
Quando um governador ou prefeito convida, por exemplo, um bacharel em economia para ser seu secretário, a pessoa pode ser um bacharel e possuir diploma de curso superior, mas, muitas vezes, não é um especialista em finanças, planejamento econômico de curtos e longos prazos, etc. Ser formado em economia é uma coisa, conhecer e ter experiência é outra, inclusive para poder comandar outros técnicos da mesma área, ter bons conhecimentos e relacionamentos com as autoridades estaduais e federais e outras virtudes. Ser formado em economia e possuir carteira do Conselho Regional de Economia não é o bastante. Ter experiência de anos de trabalho como economista praticante é outro problema. No âmbito da medicina a coisa é ainda pior, porque pode colocar outras pessoas até correndo risco de vida.
As entidades de ensino superior estão deixando muito a desejar. O Brasil tem uma enorme demanda de bacharéis em todos os cursos superiores. O problema é que a qualidade dos formandos, em princípio, não vem acompanhando o que o mercado exige. Ser um profissional eficaz e competente é uma coisa. A prática vem demonstrando que a realidade é outra. O anunciado Brasil dos bacharéis em cursos superiores tem seus limites.









