Mobilidade urbana

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Adicionar Tribuna de MinasEstamos caminhando na direção errada, sem querer enxergar as tendências mundiais da mobilidade urbana. É nesse sentido que precisamos reinventar a cidade. Temos, no entanto, a nítida impressão de que nossos governantes não estão muito preocupados com isso, talvez até por falta de informação. No fundo, somos todos culpados, porque não fazemos a nossa parte, nos recusando a ver as coisas como elas deveriam ser vistas. A cidade não pode ser pensada para os automóveis, e sim para as pessoas, no sentido de melhorar a convivência e a qualidade de vida dos seus moradores.
Segundo o planejador urbano Jeff Risom (Dinamarca), estamos literalmente enganados quando achamos que a maioria das pessoas que se locomovem pelas cidades está dentro dos carros. Na verdade, 30,9% dos deslocamentos no país (Brasil) são feitos de carro, 28,9%, de transporte público, e 40,2%, de meios não motorizados (bicicleta e a pé).
De acordo com a Agência Nacional de Transportes Públicos (ANTP), os investimentos em mobilidade para automóveis chegaram a R$ 12,6 bilhões, enquanto que para os transportes públicos foram apenas R$ 900 milhões. Gastos com vias para ciclistas e pedestres, de tão insignificantes, nem sequer são mencionados no relatório.
Ainda segundo a ANTP, com a poluição provocada pelos automóveis, são gastos anualmente R$ 17,2 bilhões, enquanto com o transporte público gastam-se R$ 4 bilhões. Um automóvel transporta em média 1,4 pessoas, enquanto um ônibus nos horários de pico costuma transportar 80 ou mais passageiros.
Creio que vale a pena analisar esses números e refletir sobre o que podemos fazer para modificá-los para o nosso próprio bem.









