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O perdão e a reforma íntima

“O medo de sofrer impede as melhores oportunidades de progresso.”


Por Denise Pereira Rebello - Comunidade Espírita “A Casa do Caminho”

28/08/2026 às 06h47

“Aprendestes que foi dito: Amareis o vosso próximo e odiareis os vossos inimigos. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam, a fim de serdes filhos do vosso Pai que está nos céus e que faz se levante o Sol para os bons e para os maus e que chova sobre os justos e os injustos.”  (Mateus)

Quando Jesus ensinou que devemos amar aos inimigos, ele destacou a aplicação sublime da caridade, porque, segundo Kardec, essa virtude é uma das maiores vitórias alcançadas sobre o egoísmo e o orgulho. Nesse contexto, o amor se destaca, não como aquele expresso na ternura, na confiança e nas efusões da amizade. Amar aos inimigos não é ter para com eles um afeto que não é natural, mas é não ter ódio, sentimento de vingança nem rancor. É não opor obstáculo à reconciliação. É pagar o mal com o bem.“O perdão é luz na alma de quem perdoa”, ensinou D. Isabel Salomão de Campos. O presente é oportunidade de reajuste do passado, construindo um futuro de paz.

Para além dos inimigos externos, que muitos apenas consideram, a Doutrina Espírita vem nos advertir sobre o cuidado com os inimigos internos, que retardam a evolução do espírito. É importante olhar para dentro de nós mesmos, no exercício de autoconhecimento, a fim de descobrirmos adversários mais difíceis do que aqueles exteriores.

O espírito Emmanuel, pela psicografia do médium Francisco Cândido Xavier, destaca os inimigos que trazemos no íntimo e, para os quais, é nos recomendado coragem para vencê-los.  O egoísmo se apresenta como implacável, já que impede a visão espiritual, para que percebamos as necessidades dos mais próximos. O orgulho também é um rigoroso inimigo, que se apresenta como suficiente, mas não acolhe com entendimento, destacando o desequilíbrio. A vaidade se apresenta como superior, superestimando o próprio valor e desmerecendo os outros. O desânimo paralisa a ação. A intemperança mental cede para o desequilíbrio. O medo de sofrer impede as melhores oportunidades de progresso.

Quanto aos inimigos externos, Jesus nos orientou que é necessário perdoar setenta vezes sete vezes. Para vencer os inimigos internos, nascidos nas trevas da ignorância, é preciso o trabalho árduo da reforma íntima, serviço individual e intransferível. Jesus afirmou “conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres”, cabendo a cada um a educação de si mesmo na vivenciado seu Evangelho de amor: “se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me”.

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