Queremos justiça!

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Adicionar Tribuna de MinasDa última vez que falei com minha mãe por telefone, na noite de terça-feira (17 de abril), a ex-professora primária amada por todos na comunidade de São Pedro exibia a vitalidade e a alegria com que sempre levou a vida. Com saúde invejável para sua idade, ela se preparava para mais uma de suas tantas viagens com um grupo amigos. Contou que voltara a fazer ginástica diariamente e que iria ao show do Milton Nascimento. Também estava empolgada com a comemoração de seu aniversário de 80 anos, que se daria nesta semana.
Infelizmente, Ana Esther Scheffer teve seus sonhos interrompidos por um ato de violência inominável. Na manhã da quarta-feira, dia 18 de abril, minha mãe foi assassinada covardemente dentro de casa. Dois bandidos, com 18 e 22 anos de idade, confessaram o crime e agora estão em prisão temporária. O que se ouviu em seus depoimentos é escabroso. Depois de invadir a residência de minha mãe, eles a asfixiaram com um travesseiro, ainda que a vítima gritasse por misericórdia. Num comportamento que não deixa dúvida quanto à crueldade patológica e o risco que esses facínoras representam para a sociedade, eles ainda jogaram sobre o rosto dela uma televisão extremamente pesada.
E qual o objetivo de tal exibição de atrocidade? Pasmem os cidadãos de bem de Juiz de Fora: tudo que os bandidos levaram foi um pouco de dinheiro, um saco de moedas e bijuterias (depois de matá-la, tiraram inclusive os anéis de suas mãos).
Juiz-forano que vive há mais de 20 anos em São Paulo, confesso estar chocado com a realidade que, tristemente, conheci de perto. A cidade em que nasci e cresci com orgulho convive hoje com a banalização da violência. A criminalidade explodiu. O crack tomou conta das ruas. Enquanto isso, assiste-se à total ausência de políticas públicas para afastar a juventude da droga e do crime. Da segurança, então, nem se fale: reproduzindo uma sina que acomete muitas cidades médias brasileiras, ninguém está seguro em Juiz de Fora hoje.
Notei, com grande pesar, que o crime se tornou um item tão presente na paisagem da cidade que as pessoas preferem adotar uma atitude de indiferença cínica do que encarar o problema como se deveria – uma chaga inadmissível numa cidade que se pretenda civilizada.
Devo registrar aqui o empenho da Polícia, que identificou e prendeu rapidamente os suspeitos. Assim como agradeço à dedicação do delegado responsável pelo caso, Rodrigo Rolli, e à competência dos investigadores, mas precisamos estar vigilantes, sob pena de ver esses monstros – pois não há palavra mais apropriada para descrevê-los – serem soltos e voltarem a ameaçar impunemente os cidadãos.
Convidamos você – mãe, pai, filho ou amigo que se preocupa com seus entes queridos ou já foi vítima de violência – a se unir ao nosso clamor em um ato contra a violência – Queremos Justiça no Assassinato de Ana Esther -, a ser realizado neste sábado, dia 28 de abril, às 17h, em frente à Igreja de São Pedro.
Que prevaleçam a justiça, a paz e um mundo melhor para todos.









