Perdoe as ofensas


Por Iriê Salomão de Campos, comunidade Espírita a Casa do Caminho

25/11/2017 às 07h00

Nesta época de muitos templos e pouca fé, muitas religiões e pouca prática cristã, muita reza e pouca oração, pessoas pelas ruas em altos brados declamam trechos da Bíblia, condenando ao pecado comportamentos que julgam inadequados e conclamando os ouvintes a unirem-se ao seu suposto rebanho de uma dita salvação no futuro.

Desde o mais remoto passado, falsos profetas arautos dos céus andam pelo Planeta Terra espalhando dons salvacionistas e ensinando rezas miraculosas.

Para aqueles que buscam o conhecimento, o conforto e os ensinos do Cristo, para a caminhada de progresso, é fundamental buscar o ensinamento na origem, na fonte onde jorra a cultura cristã: o Evangelho.

“E, quando orardes, não sejais como os hipócritas, pois que apreciam orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem admirados pelos outros. Com toda a certeza vos afirmo que eles já receberam o seu galardão. Tu, porém, quando orares, vai para teu quarto e, após ter fechado a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará plenamente” (Mateus 6).

Aquele que ora de pé, nos templos, acatando ritos, palavras e gestos ensaiados, assim como quem reza nas esquinas para serem admirados, já receberam sua recompensa e homenagem. “Tu, porém, quando orares, vai para teu quarto e, após ter fechado a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará plenamente.” Por esse ensino do evangelista Mateus podemos observar que toda encenação e rituais em torno da oração são reprováveis aos olhos do Cristo. Pois a real função da oração é possibilitar que nos lancemos em plena consciência, ou seja, naturalmente, em direção ao mais alto, ao sublime e eterno. Por isso, também, Marcos escreveu em seu Evangelho: “Quando estiver orando, perdoe” (11:25). Porque é impossível encontrar a paz interior sem o exercício do perdão.

Estamos na experiência da vida no mundo, somos cotidiana e historicamente influenciados por um oceano de maneirismos materiais, que nos trouxeram até aqui do modo como estamos. Se intencionamos alguma melhora, mesmo que muito modesta aos olhos da eternidade, é necessário dar o primeiro passo, lembrando que somos filhos diletos do Pai Celestial. Ele que nos dignificou com esta encarnação, para progresso e evolução. Então nos cabe fechar as portas para o orgulho, a vaidade e a maldade e, a cada iniciar e findar do dia, na modéstia de nosso íntimo, no silêncio de nosso quarto, orar como nos ensina Jesus: Pai, perdoe nossas ofensas assim como perdoamos quem nos tem ofendido.

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