Trabalho em equipe

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Adicionar Tribuna de MinasNão sabemos por que não fomos treinados em sala de aula para trabalhar em equipe, em ambiente de cooperação e reciprocidade. Nossas faculdades estão cada vez mais orientadas para a produtividade fordista de conhecimento e orientam seus alunos para alcançarem um bom lugar no mercado. Numa lógica própria da ação mercantilista: extremamente individualista e competitiva. No início do curso, são muito comuns entre os alunos encontros festivos, chopadas, churrascos e similares. Isso no início de formação da turma. No final de período (formatura), nada disso acontece. É o início do salve-se quem puder. Cada um se vira como pode na busca desenfreada pelo emprego na profissão, em tempos tão difíceis de encurtamento da economia e de desemprego estrutural.
Trabalhar em equipe? É complicado, é difícil. De um modo geral, no ambiente público, o aspecto político (politiqueiro) ainda se sobressai à competência técnica-operativa dos gestores. E não há diálogo. Não há procedimentos intersetorializados. Falta, portanto, comunicação. Inexiste interlocução entre os atores e os próprios usuários da política. Na prestação de serviços sociais e/ou de saúde, por exemplo, é pouco comum uma prática diária de trabalho compartilhada, com troca de opiniões e de informações sobre determinados casos e situações do dia a dia profissional.
Há uma prática verticalizada, hierarquizada sobre a gestão do processo de trabalho, em que impera o velho ditado manda quem pode, obedece quem tem juízo. Seria diferente na esfera privada? Para a efetivação de um bom diagnóstico sobre as condições de vida de uma pessoa, além do quadro de saúde física, como a de um idoso(a), por exemplo, penso que é fundamental ouvir os diversos profissionais envolvidos no trabalho. Nem sempre a indicação do profissional médico é, naquele momento, a preponderante sobre as orientações dos outros colegas profissionais da equipe.
Esta afirmação me faz refletir sobre o gesto concreto da presidente Dilma sobre alguns vetos que sancionou em relação à atividade médica no Brasil, o denominado Ato Médico. Não sou nenhum especialista nesta matéria, admiro e respeito muito os colegas médico(as) – tenho até alguns excelentes amigo(as) -, mas o trabalho coletivo com alguns profissionais da saúde, às vezes, é frustrante: a sobrevivência financeira fala mais alto. Trabalha-se muito e em diversos espaços sócio-ocupacionais para a manutenção e/ou elevação da renda mensal.
A presença do profissional médico nos programas de saúde pública é indispensável, ao contrário do que argumentam alguns parlamentares. Mal comparando, me vem à mente o caso do exercício do jornalismo por pessoas sem graduação, sem diploma universitário. É um absurdo. Para se desenvolver uma profissão, qualquer que seja ela, é preciso estudar e, hoje em dia, estudar cada vez mais, até morrer. É preciso ter preparo, mas também contar com boas condições de trabalho, salários dignos, saber gastar o dinheiro público com questões essenciais para o público, como é o caso da educação e da saúde, e médicos ganham muito mal no Brasil. A mudança precisa começar por aqui. Mais respeito na valorização profissional destes trabalhadores.









