“Essa fé nos religa ao Criador, onde haurimos forças e coragem para os enfrentamentos da vida”


Por Denise Gasparetti Drumond, Comunidade Espírita "A Casa do Caminho"

20/03/2026 às 07h28

São várias as passagens de Jesus nas quais o tema fé é abordado. No evangelho, encontramos relatos muito significativos, realçando a importância do cultivo desse sentir verdadeiro, genuíno e singelo, que nasce na intimidade do nosso coração, iluminado pela razão. Sim, não uma fé cega, mas uma fé robusta, alicerçada na consciência cristã que habita onde não podemos ver, mas que demonstra nossa origem divina. Somos criação de Deus e trazemos conosco a chancela dessa filiação com o nosso Pai.

Essa fé nos religa ao Criador, onde haurimos forças e coragem para os enfrentamentos da vida. Esse recurso favorece nosso intercâmbio com os espíritos superiores, estreitando comunicações que nos orientam nas decisões difíceis, acalmam-nos diante de situações inesperadas e nos sustentam nas provações tempestuosas. Buscar o Cristo pedindo socorro é condição natural que não fica sem resposta. Lembremo-nos: “pedi e obtereis. Batei e abrir-se-vos-á.”, “Eu vim para os que sofrem.” E ainda: “vinde a mim todos vós que estejais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei.”

No Evangelho segundo Espiritismo, encontramos uma referência à trindade que designa a fé como mãe da esperança e da caridade. Guardar certeza de um futuro feliz e praticar a caridade genuína nos impulsionam a um crescimento em direção ao nosso Pai. Essa ligação com o alto através da oração sincera, precedida por boas obras, numa vigilância diuturna de nossos pensamentos e atitudes nos aproxima de esferas superiores. Foi nosso Jesus quem disse: “meu fardo é leve e meu jugo é suave.”

Quando Jesus e seus discípulos estavam num barco no mar da Galileia e a tempestade desabou, seguiram-se ocorrências maravilhosas. Nosso Mestre que dormia, acordado frente os apelos dos tripulantes daquela nau, acalmou os ventos e aplacou as temíveis ondas que ameaçavam afundar o barco. Assim também existem momentos em nossas vidas, em que o barco que nos conduz parece que vai afundar. A prece sincera nos religa a Deus donde vem o socorro, o bálsamo frente dor cruciante, o amparo quando aflição aparece. E o tempo, onipresente e misericordioso, vai deixando no passado os males de nossas vidas, reservando-nos o aprendizado que nos impulsiona ao crescimento interior.

Trabalhemos sempre construindo uma encarnação com plantio do bem. Aproveitemos as oportunidades que a vida se nos apresenta de distribuir amor por onde passarmos. Lembremo-nos de fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem. Sejamos caridosos, benevolentes e solidários. Guardemos certeza de que o bem cobre nossa multidão de pecados. E assim, vamos construindo um futuro de mais felicidade, obedecendo às leis de causa e efeito, deixando no passado o ciclo de dor e sofrimento que nós mesmos criamos, quando ainda mergulhados na maldade, no egoísmo e no orgulho. Nessa linha de trabalho e progresso, a felicidade nos alcançará adiante.

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