Racismo: tema proibido

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Adicionar Tribuna de MinasO jogo de estreia do Cruzeiro na Copa Libertadores de 2014, no Peru, foi marcado por um comportamento racista inaceitável por parte dos torcedores do Real Garcilaso. O alvo foi o volante Tinga. Esse episódio lamentável reacendeu a discussão sobre o racismo. Um tema difícil de ser tratado, uma vez que não estamos habituados a discuti-lo e nem nos sentimos competentes para abordá-lo com profundidade e devidos cuidados. No Brasil, temas como violência doméstica, aborto, religião, política, narcotráfico, drogas, pena de morte, prostituição e racismo são desprezados pela política, tratados inadequadamente pela mídia e insuficientemente discutidos pelas escolas. São temas proibidos e, por isso, nos são caros, afinal, estão presentes em nosso cotidiano.
Em geral, evitamos, mas quando falamos sobre alguns desses temas, temos a sensação de que estamos realmente despreparados. O racismo, em especial, é um dos que mais nos incomoda. Muitos, equivocadamente, afirmam que não temos racismo no Brasil (ideologia da democracia racial), só temos o preconceito socioeconômico, e que a cor da pele não gera discriminação. Os cientistas, apoiados na genética, ratificam que o conceito de raça não se aplica à espécie humana, logo, o termo racismo perde sua consistência.
Nas ciências sociais, alguns defendem que o termo mais adequado é o etnicismo (preconceito étnico). Desde que não esvazie o debate central, a preocupação semântica é importante, pois, como afirma o filósofo esloveno Slavoj Zizek: palavras nunca são só palavras. Elas importam porque definem os contornos do que podemos fazer. Do ponto de vista legal, o brasileiro pode contar com a Lei nº 7.716/89, que define os crimes resultantes de preconceito de raça e de cor (crime de racismo), e o Art. 140, §3°, do Código Penal, que trata do crime de injúria racial. Mas poucos conhecem esses instrumentos legais e a diferença entre as duas modalidades. Afinal, o caso do Tinga foi racismo ou injúria qualificada?
A ocorrência também nos revelou o despreparo político no futebol. As delegações precisam se preparar melhor para eventos esportivos internacionais. Conhecimentos da diplomacia e do direito internacional são fundamentais para orientar as decisões frente a problemas dessa natureza. O time do Cruzeiro deveria parar o jogo, comunicar à arbitragem, solicitar segurança, se retirar de campo e encaminhar a denúncia à Conmebol. Entretanto, equivocadamente, optou-se por continuar o jogo, perdendo a oportunidade de uma ação educativa exemplar. Mas o que aprendemos com esse episódio? Tema recorrente como o racismo precisa ser adequadamente enfrentado. A escola deve ser o espaço, por excelência, imprescindível para organizar pedagogicamente esse enfrentamento, que também deverá incluir a participação das famílias, dos meios de comunicação e da política. Uma escola que se esquiva de temas polêmicos não cumpre o seu papel de protagonista na formação de cidadãos críticos, solidários e menos preconceituosos.









