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Tempo de reflexão e penitência


Por EQUIPE IGREJA EM MARCHA

17/03/2012 às 06h00

Estamos vivendo o período da Quaresma. Para os católicos, um tempo de reflexão e de penitência. A palavra vem do latim e significa os quarenta dias que antecedem a festa maior: a Ressurreição de Jesus Cristo. É um período reservado também à conversão espiritual. O tempo interior, de silêncio, paciência e meditação tem sido cada vez mais preterido pelo imediatismo, que é a noção de um tempo dessacralizado. Com essas palavras, a poeta paulista Mariana Inall, em entrevista ao site do Instituto Unisinos, leva-nos a uma reflexão tão importante neste período para os católicos do mundo todo.

A mística e a poesia – diz Mariana – contra essa engrenagem perversa, fazem lembrar um amadurecimento lento das coisas, um vazio para ser preenchido pelo que não é vontade nossa, e o quanto pode o nosso olhar quando atento para uma leitura da realidade em níveis que transcendem o visível e o material. Porque, antes de tudo, o que a poesia e a mística despertam é a nossa faculdade de atenção. Para ela, poesia e mística colaboram para aguçar a percepção sobre o mistério.

A poeta nos leva a refletir sobre o tempo em que vivemos: uma época de tirania da produtividade, de apologia do que é novo e eficaz e de um aparente benefício de tudo o que nos abrevia o sofrimento, o esforço e uma aprendizagem demorada. As coisas não amadurecem mais no seu próprio tempo; amadurecem à força, como uma planta de estufa. Vejo isso atingir as relações humanas e mesmo certa dimensão da criação literária que se ancora na linguagem, nos pressupostos do método e da técnica, e pouco abre espaço para uma inspiração que não pode ser instrumentalizada.

A Quaresma é o momento propício para o que a poeta chama de tempo interior, de silêncio, de paciência e de meditação. Este é o Domingo da Alegria, na metade da Quaresma, que nos leva a uma parada diante da cruz, não somente do instrumento do suplício e da tortura, mas da cruz como instrumento de salvação. A cruz já está transformada pela Páscoa, e o evangelho deste domingo, segundo João, nos lembra: É preciso que o Filho do Homem seja levantado. Assim, todo aquele que nele acreditar, nele terá a vida eterna(Jo 3,14-15).