‘Eu vi o Senhor!’

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Adicionar Tribuna de MinasEssa expressão alegre, essa boa notícia pronunciada no alvorecer do primeiro dia daquela inquietante semana, ecoa entre nós até hoje, sobretudo nas madrugadas e noites escuras da vida, recordando-nos da imensa felicidade de uma mulher, discípula fiel, que, apesar de todos os pesares vividos e sofridos, persevera na fé e na esperança, e aí encontra seu alento.
O episódio do encontro de Maria de Magdala com Jesus, narrado pelo evangelista João, nos coloca diante da realidade da vida que fere e sepulta para sempre a morte, vida que sustenta o até então apenas almejado e vislumbrado como possibilidade. O extraordinário encontro é tão vital que Maria acolhe as palavras de Jesus e vai ter com seus irmãos para dizer-lhes: Eu vi o Senhor, e eis o que ele me disse.
A surpreendente visão do Senhor ressuscitado rememora no coração dos discípulos o caminho de Jesus de Nazaré, o Cristo de Deus. Suas palavras, sua vida, seus gestos concretos, sua fidelidade ao projeto de amor do Pai o levaram à morte e morte de cruz. Uma morte que sepultava com ela sonhos e esperanças e espalhava tristeza, medo e desalento. A morte escandalosa do inocente, vivida por ele, traz à tona o inquietante mistério do sofrimento e do mal. No entanto, o encontro com o ressuscitado sinaliza para um final auspicioso que nos revela um Deus que opta por vencer sem fazer vencidos. Jesus é o Senhor que perdoa seus algozes e que abre também para eles o caminho da vida. Somente um Deus assim pode nos garantir que viver é mais do que existir e que a existência só vale a pena porque caminha para a vida. Viver buscando o bem e a plenitude na história, no acolhimento aos caídos de toda a espécie é prosseguir no caminho de Jesus de Nazaré, sabendo que, se com ele vivemos, como ele morreremos e por causa dele ressuscitaremos.
Se a recordação da paixão e morte de Jesus nos coloca em contato com nossas dores, perdas e feridas, o encontro auspicioso com o Senhor nos anuncia que a noite escura é apenas uma passagem para uma manhã infinitamente luminosa.









