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Amor e pandemia

“Você, caro leitor, que hoje se sente carente de amor, sobretudo nesse atual contexto de isolamento social, saiba que estou pensando em ti”


Por Luís Eugênio Sanábio e Souza, escritor

14/09/2021 às 07h00

Nesses tempos de pandemia, existem muitos idosos e crianças carentes de amor, mas sobretudo os mais frágeis devem lembrar que para além dos problemas humanos, das preocupações e das ansiedades do dia a dia, sempre existe alguém que nos ama gratuitamente e fielmente. No mundo existe mais fome de amor do que de um pedaço de pão, dizia Madre Teresa.

No plano das relações humanas, é oportuno refletir sobre o sentido do amor. O grande pensador e teólogo Santo Tomás de Aquino assim definiu com simplicidade e exatidão: “Amare est velle alicui bonum” = “Amar é querer algo de bom para alguém”.

Quando amamos, refletimos a fonte do amor que é Deus! De maneira consciente ou inconsciente estamos sempre buscando o amor, de Deus e das pessoas. Quando amamos e somos amados, alcançamos a felicidade, pois o amor é capaz de nos elevar para além das conquistas materiais e efêmeras. Tudo o que é belo, bom e verdadeiro vem de Deus, que é amor. O amor não é ruidoso nem pomposo, mas se concretiza em gestos simples, ou seja, numa palavra, num carinho, num sorriso, numa atenção etc.

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Também podemos amar através da arte! Recentemente, através de um vídeo em que adaptei para o piano um movimento da terceira sinfonia do compositor Johannes Brahms (1833-1897), ofereci à minha amada mãe essa música como expressão de amor. As artes têm em vista, “por natureza, exprimir de alguma forma nas obras humanas a beleza infinita de Deus e procuram aumentar seu louvor e sua glória na medida em que não tiverem outro propósito senão o de contribuir poderosamente para encaminhar os corações humanos a Deus” (Concílio Vaticano II). Quem tiver notado em si mesmo essa espécie de centelha divina que é a vocação artística (de poeta, escritor, pintor, escultor, arquiteto, músico, ator etc.) deve cumprir o dever de não desperdiçar esse talento, mas de o desenvolver para colocá-lo ao serviço do próximo e de toda a humanidade.

Você, caro leitor, que hoje se sente carente de amor, sobretudo nesse atual contexto de isolamento social, saiba que estou pensando em ti e através das minhas palavras ofereço-lhe amor. Por fim, lembremo-nos daquela conhecida oração de São Francisco que diz assim: “Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz; onde houver ódio, que eu leve o amor; onde houver ofensa, que eu leve o perdão; onde houver discórdia, que eu leve a união; onde houver dúvida, que eu leve a fé; onde houver erro, que eu leve a verdade; onde houver desespero, que eu leve a esperança; onde houver a tristeza, que eu leve alegria; onde houver trevas, que eu leve a luz; ó mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado; compreender que ser compreendido; amar que ser amado; pois é dando que se recebe; é perdoando que se é perdoado; e é morrendo que se vive para a vida eterna !”

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