Por uma vida Pascal

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Adicionar Tribuna de MinasParece que ainda ouvimos os sons dos sinos da Páscoa, anunciando para todos nós a ressurreição de Jesus. A liturgia tocante do Tríduo Pascal ainda nos enche de emoção. Aliás, antes do tríduo, a liturgia de Ramos já nos interpelara: agitar o ramo é sinal de adesão a Jesus e ao Seu Reino. Por isso, nosso povo tem o hábito de guardar os ramos, que nossas mãos carregaram e agitaram na procissão, entre a imagem do Cristo e a cruz de nossos crucifixos domésticos: adesão até a cruz. Depois o lava-pés a anunciar o amor que serve, a fração do pão a nos comprometer com o amor que se doa aos outros, que partilha tudo até seu corpo e seu sangue. Doação tão radical da própria vida que culmina na entrega da morte na cruz.
E exatamente porque toda a sua vida foi doada, a morte não a pode roubar. Nem a morte pode tirar uma vida que já foi dada, por isso, quem morre na cruz de Cristo é a própria morte: nossa realidade última não é a morte, mas a vida. O espocar dos sinos da ressurreição nos anuncia isso. E o Cristo Ressuscitado nos confia uma missão: vai e anuncia aos irmãos! Essa é a missão de todos os cristãos, e nós leigos e leigas devemos nos lembrar a cada momento de nossa vida que tudo que fazemos ou falamos deve anunciar Cristo Ressuscitado ao mundo. Nosso campo de missão é ainda maior do que aquele de nossos irmãos padres, religiosas e bispos: só nós estamos permanentemente no mundo do trabalho, nas famílias e nas associações. Só nós frequentamos todos os lugares, dos mais sagrados aos mais profanos.
Missão árdua: neste tempo em que nos foi dado viver, o momento histórico de nossa sociedade é particularmente anticristão. vivemos época em que o pensamento da sociedade é extremamente individualizante. Um mundo que prega constantemente que as pessoas devem amar em primeiro lugar a si mesmas, em que a busca do prazer não admite limites. É tempo de egocentrismo e hedonismo. Todos sabemos que nós, seres humanos, sempre fomos egoístas. Mas isso era visto como defeito, e as pessoas se envergonhavam, buscavam esconder ou melhorar. O novo em nossa época é que, para muitos, buscar sua própria vida e suas vantagens parece ser considerado virtude a ser admirada. Nesse contexto, torna-se mais urgente nosso compromisso.
É nesse mundo, do jeito que está, que somos chamados a ser o que somos: testemunhas de Jesus Ressuscitado.









