Ano novo

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Adicionar Tribuna de MinasMais um ano se inicia. Em termos não propriamente humanos, não há descontinuidade entre o fim e o início de um ano, pois o mundo dos movimentos naturais continua a obedecer às mesmas leis de sempre. O sol continua a brilhar, o movimento dos astros segue o seu curso, a natureza não deixa de perseguir os mesmos fins… O homem, como animal que é, também pertence ao mundo natural, e, nessa mesma medida, por ocasião da virada do ano, continua a ser o mesmo organismo que, como é lei geral da vida biológica, caminha rumo à morte.
Entretanto, o mundo propriamente humano traz em si qualquer coisa de maior, não se reduzindo completamente ao natural ou biológico. Assim, o tempo, para o homem, não pode ser confundido simplesmente com o tempo cronológico, cuja medida se faz pelo movimento da Terra em torno de si mesma e do sol. Há um tempo propriamente humano, que podemos chamar de psicológico (de psiqué: alma). De acordo com ele, uma hora pode significar um dia, ou um dia, uma hora. Isto é: entre eles, não há equivalência necessária. O homem vive, antes de tudo, da intensidade das suas experiências, as quais não se deixam aprisionar por um cálculo matemático. O tempo humano transcorre na mesma proporção em que mudam as vivências do espírito, e quanto mais uma experiência vivida está arraigada na alma, em maior medida portará consigo um selo de eternidade. É nesse sentido que se diz que o amor é eterno, porque, dada a sua intensidade na alma de quem o vive, conseguirá de alguma maneira subtrair-se às vicissitudes do que escorre.
O fim e o início de um ano fazem parte do tempo do homem, não tanto da cronologia que computa uma coisa depois da outra, sem dar-se conta da qualidade que muda. O tempo cronológico se mede pela quantidade, mas o tempo psicológico tem a ver com a qualidade. Como o começo de um novo ano é um momento simbólico, construído por uma atividade propriamente humana, como é a cultura, a sua incidência atinge o tempo do homem e mexe com a qualidade do seu estender-se na história, convidando-o a olhar para a caminhada já percorrida e para aquela que o seu projeto lhe propõe a percorrer ainda.
Consciente do significado humano da mudança de ano, desejamos a todos que os passos que se venham a fazer em 2013 sejam marcados pela esperança, essa virtude sem a qual o homem não é homem. Saibamos cultivar o que há de humano em nós, como a amizade, a solidariedade, a partilha, o perdão, a contemplação, a atenção, a relação com a transcendência… Não nos dobremos diante de um mundo que talvez queira fazer de nós máquinas eficientes, mas apenas máquinas, privadas do desafio e da alegria do ser e do viver propriamente humano. Feliz ano novo!









