OS INFILTRADOS
O Governo federal, finalmente, decidiu participar das ações, até então nas mãos dos governadores, de enfrentamento aos atos de vandalismo que têm ocorrido sobretudo nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo – capitais de dois dos maiores estados do país. O Ministério da Justiça pretende federalizar as investigações por entender que as repercussões não se restringem a essas duas regiões. Além disso, o limite da razoabilidade foi ultrapassado há muito tempo, já que infiltrados perverteram o sentido das manifestações. Recentes pesquisas indicam que a maioria dos brasileiros desaprova a ação de grupos, como os Black Blocks, que se tornaram a ponta da violência que se instalou nas manifestações.
Quando são comemorados os 25 anos da Constituição Federal, é necessário refletir sobre o que foi pactuado em outubro de 1988 e o que se vê hoje. Com todas as letras, a Constituição cidadã estabeleceu a liberdade de manifestação, mas em momento algum diz que manifestar é depredar patrimônio público ou privado, muitas vezes sem uma causa formal. O povo, com todo o direito – também assegurado na Carta -, tem ido às ruas, mas os vândalos, cujos atos beiram o fascismo, têm comprometido a causa.
Num cenário em que a própria população se torna vítima, não há espaço para acordos. Movimentos de jovens mascarados têm sido invadidos por personagens que transbordam suas insanidades em nome de protestos dos quais, às vezes, sequer conhecem as razões. Outros se infiltram para a prática de furtos, confirmando a máxima que afirma que a ocasião faz o ladrão. O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, diz que é preciso chamar os Black Blocks para uma conversa, mas seu próprio gesto gera controvérsia, pois seria reconhecer um grupo que rejeita princípios básicos de legalidade.
O Governo tem, sim, que agir com medidas objetivas e de inteligência, tirando das ruas tais personagens. Muitos estão identificados, porém, por falta de prova material, voltam às ruas para delinquir. Se forem tirados das manifestações, certamente os protestos terão resultados. Hoje, mesmo sob justa causa, perderam a opinião pública.











