AONDE VAMOS?


Por Tribuna

31/01/2013 às 07h00

Minutos antes de uma audiência no Fórum Benjamin Colucci, na qual a pauta envolvia o enfrentamento de galeras, jovens de vários bairros entraram em confronto no Parque Halfeld e terminaram o conflito já dentro das dependências do Palácio da Justiça, quando houve a intervenção de policiais de plantão. Sete pessoas foram detidas, mas, pelos relatos, havia muito mais gente envolvida, confirmando um cenário que, agora, já não se restringe a determinadas regiões. O Parque Halfeld, um dos principais pontos de lazer e de passagem de Juiz de Fora, ficou à mercê de jovens em fuga e em briga, o que causou pânico a quem não tinha nada com isso. A pergunta recorrente é simples, mas sem respostas. Aonde vamos? Os jovens estão perdendo o limite, e a sociedade não sabe como resolver esse impasse.

O tema é um dos principais pontos do seminário sobre violência que diversas entidades locais, entre elas OAB, UFJF, Prefeitura e Câmara Municipal, vão realizar no mês de março. Há uma justificada preocupação desses segmentos, uma vez que as ações formais do Estado não estão sendo suficientes para reverter o quadro. Mesmo em caso de detenção, o perfil dos menores de 18 anos lhes garante legislação especial, a qual, havendo punição, não tem meios adequados de cumprimento, já que faltam espaços. Enfim, há um encadeamento de questões que acaba refletindo no dia a dia das ruas, nas quais, vira e mexe, são realizados acertos de contas como se não houvesse lei.

A briga por si só já é um caso grave, mas, sobretudo nos tempos de hoje, ela não se resolve no mano a mano. O uso de armas tornou-se comum, o que pôde ser atestado nos últimos anos, quando o número de vítimas por armas de fogo – que, na sua maioria, são jovens e adolescentes – cresceu acentuadamente em Juiz de Fora. Mesmo diante de uma audiência, na qual os envolvidos em outros conflitos estavam prestando contas à Justiça, não houve intimidação. Ao contrário, os jovens não só brigaram na rua como levaram suas diferenças para um espaço próprio para se realizar a lei.