MOMENTO DE TENSÃO


Por Tribuna

31/01/2012 às 07h00

Minas Gerais se mostra para o país como modelo em relação à segurança pública, o estado onde a criminalidade violenta está sob controle dos organismos policiais, principalmente por causa de um trabalho pioneiro envolvendo a integração de parte das ações das polícias Civil e Militar. Essa política de segurança começou a ser desenhada no início dos anos 2000, sendo efetivada a partir da criação da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), em 2003, no lugar das secretarias de Segurança e de Justiça. No entanto, o trabalho de integração teve início de forma mais proeminente na região Metropolitana de Belo Horizonte. Só anos depois, cidades do interior, como Juiz de Fora, começaram a dar os primeiros passos na direção da integração.

Entendemos que o trabalho é mesmo longo e árduo, porque precisa atingir as instituições como um todo, não só os comandos. A integração precisa ser estruturada e estar nas ruas, sendo compreendida por todos os integrantes da hierarquia da Polícia Militar, principalmente os praças, e os agentes de investigação da Polícia Civil. Isso envolve até mesmo as questões identitárias das corporações. Ora, ser policial militar e ser policial civil são coisas diferentes. Uma polícia é preventiva e repressiva, enquanto a outra tem a função primordial de investigação. Fora isso, ambas preparam seus integrantes de maneiras diferenciadas, sendo preciso, porém, repensar a imagem que os novatos terão dos integrantes de uma e de outra instituição.

Tal integração, portanto, é mais complexa do que parece e não chegou a se consolidar por inteiro, mas é preciso reconhecer que muitas tentativas vêm sendo feitas, inclusive, com milhões de reais dos cofres públicos já tendo sido gastos nesse sentido. Não é possível retroceder agora no meio do caminho.

Mas é certo que há uma crise a ser vencida. Como a Tribuna mostrou no último domingo, ainda que as autoridades afirmem que sejam fatos isolados, há episódios cujas consequências precisam ser tratadas ou haverá comprometimento de passos já dados até aqui. A tensão maior se dá por causa da morte de um policial militar executado a tiros por um policial civil na porta de um clube em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Além disso, a exoneração do comandante da Polícia Militar e da subsecretária de Promoção da Qualidade e Integração do Sistema de Defesa Social de Minas Gerais tensionam ainda mais o cenário.

O momento, portanto, é de acender o sinal vermelho e ficar em alerta, afinal não se muda time que está ganhando e, se as peças desse jogo estão sendo modificadas, a criminalidade violenta pode estar recrudescendo no estado. É hora, portanto, de todas as forças se unirem.