RES PUBLICA


Por Tribuna

30/11/2013 às 07h00

O deputado Gustavo Perrella – filho do senador Zezé Perrella (PDT) – pode não ter qualquer culpa em cartório, mas o simples fato de abastecer seu helicóptero com verba da Assembleia Legislativa é deplorável. Ontem, na defesa do parlamentar, e na defesa própria, a Mesa Diretora disse, por meio de nota, que não havia ilegalidade, mas, por precaução, cancelou a prerrogativa, que agora só vale para automóveis. Por conta do escândalo, em que o aparelho do parlamentar foi utilizado para o transporte de 400 quilos de cocaína, também foi comunicada a demissão do assessor parlamentar Rogério Almeida Antunes. Trata-se do piloto da aeronave, contratado pelo Legislativo a pedido do deputado.

O uso inadequado da res publica (coisa pública) tornou-se comum nas instâncias de poder, fruto de uma cultura que vem de longa data. O discurso é de que, em não tendo dono, o dinheiro pode ser utilizado de qualquer maneira, sem qualquer abalo ético ou moral. Trata-se de um deliberado equívoco, pois o dono é o próprio contribuinte, que regularmente paga seus impostos, mas nem sempre tem o retorno em bons serviços. O deputado abastecia seu helicóptero da mesma forma que outros usam a verba para carros de assessores e cabos eleitorais, principalmente em tempos de campanha.

O patrimonialismo ainda é comum, mesmo nos novos tempos, o que faz dele um elemento a ser permanentemente combatido. Agora, após os eventos de agosto, há certa preocupação. No mesmo momento em que um protesto mobilizava a atenção na porta da Assembleia, foram anunciadas as providências. É preciso acompanhar os resultados.