CONCILIAR COMO?


Por Júlia Pessôa

30/10/2014 às 08h31- Atualizada 30/10/2014 às 08h33

A palavra conciliação tornou-se o termo da vez, após o fechamento das urnas e divulgação dos resultados das eleições de domingo. A presidente Dilma Rousseff foi reeleita, mas o número de votos contrários apontou para um país dividido, ora carecendo de um acerto nas relações para ir adiante. Mas é preciso cuidado quando se pede a aproximação dos contrários, pois ela não acontece por simples desejo das partes. É preciso elencar propostas que aproximem os dois lados para avançar nas negociações.

Ainda é cedo para começar tais articulações, porque além de o Governo estar ainda no primeiro mandato, não se sabe qual equipe irá a campo a partir de 1º de janeiro. A presidente Dilma tem evitado especulações, mas já dá pistas de um mandato mais independente, ou não tão dependente das legendas que habitam o Congresso na sua base aliada. Só a partir daí, será possível buscar o entendimento.

Demandas não faltam. Durante a campanha, que deixou mágoas por todos os lados, alguns temas ocuparam a atenção dos políticos, como a reforma tributária, a reforma política e as ações de segurança. A reforma política voltou ao ponto morto, pois não se trata, como queria a presidente, de uma prerrogativa do Executivo. Parlamentares, inclusive da situação, já disseram que cabe ao Congresso tratar do assunto. O Executivo pode ajudar exercendo o seu poder de agenda, mas a palavra final é dos deputados e dos senadores.

Quando indagada por jornalistas se conversaria com os adversários de campanha, a presidente admitiu a possibilidade, mas diálogo não se faz por mão única. Aécio Neves e Marina Silva ainda não estão prontos para evento de tal magnitude em função da campanha eleitoral. Melhor a fazer, agora, é se conciliar com as ruas, fazendo, como ela mesmo disse, um governo para todos os brasileiros. Isso, por si só, já é um grande desafio.