GUERRA DE VERSÕES
A opinião pública – ela sim perplexa – acompanha uma discussão que começou nas páginas da revista Veja, no último fim de semana, quando divulgou-se que o ex-presidente Lula, em reunião no gabinete do ex-ministro do STF Nelson Jobim, teria pressionado o ministro Gilmar Mendes, também do Supremo, a adiar a votação do processo do mensalão. A informação deixou diversos segmentos abismados, não pelo assunto, mas por ter sido discutido entre atores diretamente interessados na demanda: o ex-presidente, por ter sido no seu governo a origem da denúncia, e o ministro, por ser um dos julgadores da questão. Em nota, Lula negou o tema e se disse indignado. Gilmar, ao ser confrontado com o desmentido, reafirmou e pediu o testemunho de Jobim. Este, numa tentativa de salvar os dois lados, já produziu várias versões. Só há um ponto comum entre os três: a reunião ocorreu.
Só por isso já há problemas. Num momento em que se está definindo a data do julgamento de um dos maiores escândalos da política brasileira, não faz sentido uma reunião com tais personagens. Mesmo que tivessem falado de pescaria, certamente a opinião pública iria colocar em dúvida. Trata-se de um caso em que todos cometeram seus equívocos. O ex-presidente não poderia ter feito tal convite, o ex-ministro não deveria ter sido o anfitrião, e o ministro do Supremo não poderia ter aceitado o eventual convite. Juízes falam nos autos e, quando há o risco de fugirem à regra, o melhor é evitar.
Como não haverá acareação para ver quem está falando a verdade, o único caminho é evitar novos desatinos, inclusive comentários de outros magistrados. Houve tempo em que militares e juízes se davam o direito do silêncio. Hoje, militares questionam atos do Governo por meio de seus grêmios, como ocorreu na criação da Comissão da Verdade, e ministros do Supremo dão entrevistas, além de expor as entranhas do poder, como recentemente aconteceu num bate-boca entre os ministros Joaquim Barbosa e Cezar Peluso.










