OBRAS PARADAS
Pelo país afora, o cenário recorrente é de obras públicas paradas, a maioria delas pela interrupção dos financiamentos ou até mesmo por quebra das empresas, com contratos feitos no limite, em que qualquer bloqueio nos repasses deixa as companhias desidratadas, sem meios de levar o projeto adiante. Também como causa, a elaboração de licitações com regras frágeis. Endurecê-las inibe a participação, o que deixa os administradores num beco sem saída. Em Juiz de Fora, há claros indícios desse problema, a começar pelo Hospital Regional, cuja obra vem se arrastando há anos por conta do fluxo inconstante de repasses. Previsto para ser inaugurado entre 2011 e 2012, ainda não tem data para ser entregue à população. Depois das obras físicas, há a questão dos equipamentos e, sobretudo, do custeio do empreendimento.
A lentidão das obras é resultante dessa ciranda: sem pagamento das instâncias oficiais, as empresas, mesmo idôneas na fase de licitação, nem sempre mantêm condição para tocar o trabalho, deixando prefeitos, governadores e até o Governo federal à mercê desse impasse. A transposição do Rio São Francisco é um caso clássico, mas é possível voltar à cidade para constatar que não apenas o hospital, mas também a obra da Estação de Tratamento de Chapéu D’Uvas, passa pela mesma circunstância, tornando-se uma queda de braço judicial entre a Prefeitura e a contratada, já que o serviço não correspondeu às expectativas, bastando ver o que foi feito. Na edição de terça-feira, a Tribuna mostrou o problema.
Se até as grandes corporações, ora desidratadas pela operação “Lava jato”, descumprem contratos e pedem socorro aos bancos, o que dirá de empresas de menor porte? Ao participar de concorrências, praticamente fazem apostas: havendo repasses, constroem; caso contrário, pedem concordata ou param o empreendimento, deixando a conta final para a população, que se vê privada de serviços, muitos deles fundamentais para o seu dia a dia.











