NÃO PODE ESPERAR


Por Tribuna

29/10/2014 às 07h00

Enquanto cresce o número de adolescentes envolvidos em crimes – este ano, já são 892 menores de 18 anos encaminhados à Polícia Civil por atos infracionais entre janeiro e setembro, como mostrou reportagem da Tribuna no domingo -, Juiz de Fora se vê refém da indiferença do Estado, responsável por prover a segurança pública.

A instalação do Centro Integrado de Atendimenato ao Adolescente Autor de Ato Infracional (CIA), prometida pelo Governo estadual, não saiu do papel, apesar de ter sido uma das principais demandas apontadas pelo 1º Fórum de Segurança de Juiz de Fora, ocorrido em setembro. O Centro Socioeducativo já está quase com o dobro de sua capacidade no número de adolescentes acautelados. O programa “Fica vivo”, alento para conter a morte violenta com ações sociais, é outra promessa sem previsão para a cidade.

A Promotoria da Infância e da Juventude também alerta para a necessidade de criação de nova Vara da Infância e Juventude, para desafogar a única existente e reduzir a sensação de impunidade.

Não adianta apenas a polícia dar respostas mais rápidas e efetivas contra o tráfico de drogas e as brigas de gangues, para ficar nos crimes mais comuns envolvendo jovens.

É preciso muito mais do que punição. São necessários projetos sociais, culturais e educativos que apresentem perspectivas de presente e futuro para esta população, que encontra no crime atalho para a concretização de sonhos. A sociedade também precisa assumir suas responsabilidades para que esses jovens deixem de ser visíveis apenas quando criminalizados e possam encontrar respostas para suas demandas.