HORA DE MUDAR


Por Tribuna

29/10/2014 às 07h00- Atualizada 30/10/2014 às 08h33

Na sua primeira entrevista após ter sido reeleita, a presidente Dilma Rousseff prometeu para até o fim do ano uma série de medidas na instância econômica, reconhecendo que há problemas no atual cenário. E há, o mercado continua reagindo mal, e o dólar está acima dos patamares normais. Seu discurso pode melhorar o cenário, uma vez que esse segmento é volátil e atua sob circunstâncias. Ontem mesmo, um dia após estas promessas, já havia mudanças. A presidente também avisou que é hora de se fazer a reforma tributária, pois as regras atuais são injustas. Não é de hoje que os estados travam uma guerra fiscal, ora colocando ora tirando barreiras para carrear investimentos. Só com uma reforma será possível pacificar esse jogo de interesses.

Mas a presidente já percebeu, também, como será difícil sua relação com o Congresso Nacional. Sua proposta de reforma política por meio de plebiscito encontra as primeiras resistências, inclusive do PMDB, seu principal aliado. O discurso de deputados e senadores – mesmo aqueles que ainda não tomaram posse – é de que a prerrogativa é do Parlamento, e não do Governo. Câmara e Senado decidem, e, quando muito, a população é chamada em referendo para dar sua opinião.

O gesto da presidente, no entanto, é positivo, uma vez que, somente com o poder de agenda do Executivo, é possível levar o projeto adiante. As duas casas já discutem a reforma há anos, mas o jogo de interesses embarga seu avanço. Com o Governo entrando no processo, é possível ir adiante, mas é preciso se articular e formalizar o diálogo, pois a oposição será bem mais hostil nessa legislatura.

O Governo vai precisar de jogo de cintura para dialogar com a instância política e com a própria sociedade. O resultado das urnas foi emblemático para todos.