VELHOS DILEMAS


Por Tribuna

29/08/2014 às 06h00

Enquanto os candidatos discutem a segurança pública, a cidade – como tantas outras – enfrenta velhos dilemas que vão e voltam à mesa de discussão. A recente rebelião no Ceresp teve desdobramentos não apenas no pedido de transferência de presos condenados, que já não eram para estar cumprindo pena numa casa de internos provisórios, mas também no HPS, porta de entrada da maioria das demandas médicas da cidade.

O atendimento a internos do Ceresp apenas reacendeu a discussão sobre a ocupação de salas, que se transformaram em celas, num hospital de atendimento público. Quem fica à espera convive com guardas armados e com um cenário de insegurança, pois há casos de presos de extrema periculosidade. O Judiciário, que autoriza a transferência, reclama da Secretaria de Defesa Social por esta não disponibilizar vagas no sistema prisional. Já a secretaria garante que há vagas.

Nesse jogo de palavras, quem perde é a população, pois, além da convivência inadequada, ainda tem o número de leitos reduzido. Em meados de 2012, o município tentou, pela via judicial, reduzir o número de leitos que, na ocasião, chegou a 40, mas poucas foram as alterações. O secretário de Saúde, José Laerte, fará nova investida para acabar com essa utilização do HPS, que, por lei, só deveria atender presos em casos emergenciais, e não em situações permanentes.

Esta é mais uma demanda que não pode ficar apenas nos palanques de campanha, já que afeta a vida da população todos os dias. As políticas de segurança, que, diretamente, são competência da União e dos estados, ainda são precárias, sobretudo quando os dois lados ou não se entendem ou jogam a responsabilidade no colo do outro.