GUISO NA DISPUTA


Por Tribuna

29/05/2013 às 07h00

A Justiça Eleitoral, em duas situações distintas, resolveu dar um basta na antecipação da campanha presidencial que já estava em curso. Primeiro, mandou o PSDB mudar as peças publicitárias de apresentação do senador Aécio Neves como seu presidente nacional. Em vez de falar do partido e de suas metas, ele emitiu mensagens próprias de quem está pronto para ir às ruas pedir votos. É certo que a legenda vai recorrer, como recomenda o duplo grau de jurisdição, mas é pouco provável que sua decisão prospere tal a clareza do propósito de apresentar o político mineiro aos brasileiros.

Em outra demanda, foi pedida multa para o Governo por conta das redes nacionais apresentadas pela presidente Dilma Rousseff, que se tornaram rotina, banalizando uma prerrogativa para apresentar propostas para o país. A qualquer evento, a convocação de rede nacional servia para vender suas ações, subvertendo, pois, o sentido da convocação. Foi pedida multa, mas é preciso avançar, a fim de dar forma mais adequada a esse tipo de postura. O deputado tucano Marcus Pestana quer que tais decisões sejam previamente aprovadas pela Justiça Eleitoral. A intenção é boa, mas vai além do tom, bastando bom-senso dos dirigentes.

O pano de fundo de todo esse processo é a antecipação da campanha em si, que não é mais um gesto camuflado. Os atores de 2014 já não mais ensaiam suas ações: estão em plena atuação. Nesse contexto, é necessário inserir também o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que articulou eventos pelo país afora com o fito único de se mostrar candidato.

A antecipação da campanha não é um mal em si mesmo, pois os políticos pensam nela já no dia da posse de um mandato e de olho no próximo, mas na forma como é desenvolvida. Os gestos são, em boa parte, eivados de espetacularização para ganhar força na opinião pública. Se no Governo, para dizer ao povo que está trabalhando. Se na oposição, para apontar que tudo está errado. E quando isso ocorre, cria-se um cenário artificial, que deixa as demandas importantes em segundo plano, sobretudo num país com tantas questões para serem resolvidas.