BEM DE TODOS


Por Tribuna

29/03/2015 às 06h00

Uma das máximas atribuídas ao jornalista Sérgio Porto envolvia o uso desmesurado do dinheiro público. Advertia o famoso Stanislaw Ponte Preta: “Ou restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos”. O novo escândalo apurado pela Polícia Federal, agora envolvendo uma fraude fiscal que pode chegar a R$ 19 bilhões, maior até que o “Petrolão”, consolida a impressão de ser essa a leitura que se faz do espólio da viúva: todo mundo mete a mão. De acordo com os investigadores, companhias pagavam propina a conselheiros de órgãos do Ministério da Fazenda, que julga recursos contra multas.

A prática é mais uma das facetas das relações entre público e privado que têm marcado a cena nacional. Embora descoberta hoje, a prática é coisa antiga, passando por governos de todas as tendências, apontando para o velho patrimonialismo que funciona desde os tempos do Brasil Colônia.

Inverter essa lógica é o desafio coletivo, pois envolve agentes públicos e privados. A famosa “Lei de Gérson”, durante tempos glorificada até em comerciais na TV, é um passo atrás, devendo ser combatida. Mas é vital também evitar pequenas “corrupções”, tipo furar fila e atravessar fora da faixa, ações consideradas de rotina, mas que influenciam no nosso dia a dia, até as grandes corrupções de assalto aos cofres públicos.