FOGO AMIGO


Por Tribuna

28/12/2014 às 07h00- Atualizada 30/12/2014 às 14h41

Deputado estadual por duas legislaturas e ingressando no seu segundo mandato como federal, o pastor George Hilton (PRB-MG), nomeado para o Ministério do Esporte, já enfrenta o fogo amigo por conta de sua inexperiência. Num ano que antecede aos Jogos Olímpicos, o que os organizadores menos esperavam era uma mudança tão drástica. Sai um ministro, já afeito ao posto e que atuou com sucesso na Copa do Mundo, e entra um que sequer, nos seus muitos pronunciamentos, falou de qualquer modalidade esportiva. Não há demérito em ter outras opções. O problema é lidar com um mundo novo e num período tão crítico: os jogos estarão sob o olhar mundial, como a Copa, não valendo a pena fazer experiências em nome de apoio político.

O próprio PRB poderia ter negociado outra pasta, certo de que estará sob o olhar crítico de todos os setores. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, aliado da presidente Dilma e anfitrião da competição, foi o primeiro a esboçar sua preocupação. Resta saber se haverá mudanças, pelo menos com a nomeação de um secretário executivo que saiba como tocar demanda de tal magnitude. Reverter a troca do ministro a essa altura do campeonato seria um desgaste e tanto para a presidente. Daí, a busca do plano B na indicação do número dois do ministério.

Além do estilo da presidente de ouvir poucos interlocutores, a indicação é fruto do jogo de poder que se espalha também pelos estados na definição do secretariado. O Executivo precisa de uma base sólida nos parlamentos, o que faz dele, num primeiro momento, refém dos interesses partidários; e o PRB não é exceção. Com uma expressiva bancada na Câmara Federal, pediu e levou um ministério estratégico. Pode, no entanto, ter sido a pasta errada, sobretudo por conta do momento.