SOB VIGIA


Por Tribuna

28/08/2012 às 07h00

Os jovens estão se matando em Juiz de Fora, e as autoridades de segurança pública insistem em dizer que a cidade não tem índices que justifiquem a implantação de programas especiais de segurança, como o Fica Vivo e o Olho Vivo, ambos com a previsão de instalação de câmeras de segurança pelas ruas. Na edição de domingo, a Tribuna mostrou a iniciativa privada tomando providências, enquanto o Poder Público se prende a detalhes e à burocracia para não buscar soluções. Até cidades com menor demanda e de pequeno porte têm sido contempladas, deixando dúvidas sobre as verdadeiras razões dessa inação. Como os políticos não têm obtido êxito, resta apelar para o comando da Polícia Militar – que tem jurisdição sobre vários municípios – e para o delegado regional, que também atua no entorno da cidade. Já disseram que, de sua parte, o dever de casa está sendo feito, inclusive com projetos especiais, mas fica claro que precisam atuar diretamente nas suas instâncias em Belo Horizonte para convencê-las da importância dos programas.

A vigilância eletrônica não impede os crimes e nem há ilusão de que isso ocorra, mas, de uma certa forma, serve como elemento inibidor, sobretudo quando se tratam de crimes contra o patrimônio e dos enfrentamentos de gangues, que já viraram rotina nas ruas de Juiz de Fora. Jovens com menos de 20 anos têm sido mortos enquanto o Estado espera por novos índices. Mas até quando? No domingo, dois meninos foram assassinados durante uma festa no Bairro Monte Castelo. Na semana passada, dois jovens se enfrentaram na Avenida Getúlio Vargas, e um deles levou 15 facadas. O discurso recorrente das autoridades de Belo Horizonte não faz mais sentido.

A sociedade civil já se convenceu do papel da vigilância eletrônica, embora, e com razão, alguns especialistas apontem para a invasão de privacidade. Só que, nos tempos de hoje, não há outro caminho a seguir, sendo preferível o big brother vigiando idas e vindas da população do que a ação sistemática daqueles que atuam à margem da lei. Além disso, como apontou a reportagem, paradoxalmente, a privacidade só ocorre nas ruas. Fora delas – no comércio, nas empresas e nas residências -, estamos todos sob o olhar do grande irmão.