EM NOME DA SEGURANÇA


Por Tribuna

28/01/2012 às 07h00

A tragédia ocorrida no Rio, na Avenida Treze de Maio, na noite da última quarta-feira, com a queda de três edifícios no Centro da cidade, que provocou a morte de mais de dez pessoas, tem como causa provável falhas estruturais. Uma das hipóteses levantadas por autoridades e especialistas é de que o desabamento tenha sido provocado por reformas em andamento em dois dos 20 andares do Edifício Liberdade, o primeiro a cair como um castelo de cartas, levando junto outros dois, um de dez andares e outro de quatro.

Obras irregulares são mais comuns do que se pode prever. Como a Tribuna mostrou na edição de ontem, em Juiz de Fora, mais da metade das construções espalhadas pela cidade não têm sequer registro, como exigido, junto ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea). O último dado oficial a que o jornal teve acesso data de 2010, quando o Departamento de Fiscalização da Secretaria de Atividades Urbanas (SAU) embargou metade das 157 obras irregulares encontradas durante vistoria em 258 construções.

Não são poucos prédios e casas que saem do chão e são concluídos sem serem incomodados por qualquer órgão de fiscalização. E é aí que a questão torna-se preocupante.

Falta ação, muitas vezes, por parte das autoridades, é verdade. Mas falta também maior responsabilidade e consciência do risco por parte do cidadão, que, muitas vezes, constrói sem a ajuda de um profissional responsável. Do outro lado, há quem assista às irregularidades, sem tomar qualquer providência, em nome da ‘boa vizinhança’.

É preciso ter consciência de que a denúncia é um instrumento que deve ser usado pela sociedade para garantir a sua própria segurança e reduzir riscos de danos futuros. Só assim catástrofes, como a que abalou o Rio esta semana, poderão ser evitadas.