ATRÁS DAS GRADES


Por Tribuna

27/11/2013 às 07h00

Quando era titular da Vara Criminal em Juiz de Fora, ainda em meados dos anos 1980, o juiz João Sidney Afonso dizia que a cadeia pública era uma sucursal do inferno, uma verdadeira escola para o crime, numa avaliação do sistema carcerário, já naquele tempo, que se degradou ainda mais. As cadeias brasileiras são um amontoado de gente, sem distinção de pena, fazendo dos internos de menor potencial alunos dos mais agressivos, tornando, eles próprios, mais perigosos. A discussão nunca terminou, mas volta ao noticiário por conta de duas situações. Ao falar sobre a prisão do deputado José Genoino (PT-SP), o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), delator do mensalão, disse que toda prisão é desonrosa, pois coloca o homem de joelhos. Para ele, o parlamentar paulista deveria ficar em casa e ser aposentado pelos seus pares.

A segunda questão foi levantada pelo padre Valdir João Silveira, da Pastoral Carcerária do Distrito Federal, quando abordou o atendimento médico aos internos da Papuda, bem diferenciado em relação aos presos do mensalão, especialmente José Genoino. Não defende degradação na assistência ao parlamentar, mas igualdade em relação a outros presos, que, doentes, estão longe dos postos de saúde do sistema. Ele faz coro ao grupo que protesta contra os privilégios dados aos novos presos, apontando que atrás das grades não há ninguém melhor do que o outro.

A questão, no entanto, deve ser estendida aos próprios visitantes, a maioria deles políticos – como deputados, senadores e até o ex-presidente Sarney, além de advogados -, que podem abrir no foro adequado a discussão sobre as cadeias públicas. Hoje, são unidades de degradação, que, em vez de ressocializar, punem até mesmo as famílias dos internos. O Ceresp de Juiz de Fora, concebido para abrigar cerca de 250 presos provisórios, tem mais de 800 à espera de uma sentença definitiva.

É fato que dos presos deve ser cobrado o pagamento pelos seus atos, mas, quando se ultrapassam limites, todos perdem, a começar pela própria sociedade, pois, atrás das grades – voltando ao juiz Sidney Afonso -, em tais condições, instalou-se uma universidade do crime.