NOSSO HOLOCAUSTO
Por mais que se esforce, o homem não conseguiu detectar os limites da sua intolerância e nem a irracionalidade de suas ações. Muitas, aliás, praticadas em nome do Estado ou até mesmo da sociedade, num falso moralismo que afeta inocentes, na maioria das vezes sem meios de defesa ou vozes que falem em seu nome. Na edição de hoje, a Tribuna encerra uma série que começou domingo passado, contando as atrocidades cometidas no Hospital Colônia de Barbacena, uma unidade criada para acolher deficientes mentais, mas que, ao contrário disso, foi palco do holocausto brasileiro.
Os repórteres Daniela Arbex e Roberto Fulgêncio resgataram a história de sem-nomes e mostraram relatos de vítimas e testemunhas de uma história de 50 anos. De 1961, quando foram feitos os primeiros inventários, até hoje, milhares de pessoas morreram, muitas delas com os corpos transformados em laboratórios de faculdades de medicina.
Os tempos são outros, mas o que lá ocorreu não pode ser esquecido, sob o risco de o país colocar no lixo parte de sua história. Não é um Brasil agradável de ser visto, mas é necessário não esquecer, para que os atos cometidos na Colônia sirvam de exemplo e não se repitam mais. Personagens que sobreviveram não têm mais a menor condição de inserção social, pois perderam a própria identidade.
A série mostrou os bastidores de uma política psiquiátrica equivocada, mas com muitos defensores, hoje abandonada, mas que, enquanto durou, colocou na mesma cela doentes reais e pessoas afastadas da sociedade por meras conveniências.










