ESTADO PARALELO
Os pontos centrais das propostas de governo dos candidatos indicam que há uma justificada preocupação com a segurança pública. Praticamente todos os presidenciáveis querem o Governo com maior participação e a liberação de recursos para estados e municípios sem os entraves burocráticos de hoje. Resta saber como tais proposições ficarão após o pleito, embora se trate de uma questão que ocupa corações e mentes da maioria dos brasileiros.
A segurança pública, ao lado da saúde, tornou-se o principal gargalo das administrações, pois nunca – mesmo com fortes investimentos – será considerada uma área estável. A população, nas metrópoles e no campo, se sente insegura, sobretudo pelo estado paralelo que se criou em algumas regiões. Em sua manchete de ontem, o matutino O Globo destacou que tráfico e milícia impedem campanha em 41 favelas, de acordo com relatório entregue ao Tribunal Regional Eleitoral pela Secretaria de Segurança Pública do Rio. Até em áreas controladas pela Polícia Pacificadora há problemas.
Quando há uma situação como essa, fica clara a falha do Estado no implemento de suas ações, pois não tem controle efetivo sobre diversos pontos da cidade. E os candidatos dizem que está tudo bem. Em Minas, a campanha também passa pelo mesmo tema, numa clara indicação da apreensão coletiva. Em muitos casos, a descrença chega a níveis que chamam a atenção. Na região de Manejo, um pequeno produtor teve um trator roubado em seu sítio e, em vez de procurar a polícia, iniciou ele mesmo uma frenética busca, junto com um detetive, do equipamento. O trator foi encontrado na Zona Norte de Juiz de Fora.
A lição deste episódio não é apenas a constatação da chegada da insegurança na Zona Rural, mas também da descrença das ruas com o sistema de segurança.











