MANDA QUEM PODE


Por Tribuna

27/05/2015 às 04h00

Quando venceu a eleição para a presidência da Câmara, mesmo enfrentando o forte poder de pressão do Palácio do Planalto, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) deu o primeiro sinal de que a relação entre Legislativo e Executivo seria outra. Mas também indicou para a própria Câmara que as decisões não seguiriam, necessariamente, os ritos próprios da instituição. Na noite de segunda-feira, a Comissão Especial da Reforma Política foi praticamente destituída ao não votar o relatório que ela mesma produziu, ficando a decisão para o plenário.

Não se sabe ainda o que resultará dessa mudança ao final das votações que começaram ontem, mas ficou claro que o trabalho de meses foi para o ralo, pois tudo pode acontecer no plenário. Inclusive nada. O quórum de 308 votos para qualquer mudança não é simples, mas já está claro que a vontade de Cunha vai prevalecer. Junto com o vice-presidente da República, Michel Temer, ele defende o distritão, modelo pelo qual a instância partidária perde referência, valendo a eleição do mais votado. E só. O modelo só é visto no Afeganistão.

No decorrer da semana, será possível avaliar outras questões, como financiamento de campanha, mandato de cinco anos para todos e até mesmo cota de 30% para as mulheres nos parlamentos. Resta saber como será o encaminhamento, pois todo o trabalho prévio – elaborado pela comissão – já não vale, e os partidos não se entendem. Cada legenda tem uma concepção de reforma, havendo, pois, o risco de ser produzido um texto híbrido, forjado no interesse interno da instituição sem qualquer conexão com as ruas.