UMA REFLEXÃO
Acompanhar o noticiário policial, em boa parte das vezes, soa como samba de uma nota só: tem droga no meio. A maioria dos crimes consumados ou tentados contra a vida encontra no tráfico a sua principal motivação. Com os furtos e roubos acontece da mesma forma, uma vez que, sem recursos, usuários contumazes recorrem a todos os meios para fazer dinheiro. Este, pois, é um dos principais desafios da sociedade pós-moderna, uma vez que a discussão tem sido rasa em vários fronts. Na análise da violência, avalia-se, sobretudo, a questão social e a falta de estrutura das famílias – o que é fato -, mas o consumo de drogas também é forte componente.
Esse viés tem dado margem a reflexões que ainda esbarram na dificuldade de a própria sociedade discutir, por exemplo, a descriminalização das chamadas drogas leves, como a maconha. O ex-presidente Fernando Henrique só depois de um mandato de oito anos colocou a questão em sua agenda. Ele tem feito um périplo pelo país levantando a necessidade de se discutir o tema sem preconceitos.
Nos Estados Unidos, como apontou o jornal Folha de S. Paulo na sua edição de domingo, de acordo com o Instituto Gallup, 49% dos americanos aprovam a descriminalização da droga. Dos 50 estados, 18 – com base na independência federativa – já adotaram a liberação. Os números de lá dão margem à discussão aqui, onde a luta contra o tráfico e o consumo tem sido desigual. Por mais que aja, o Estado tem ficado um passo atrás nesse embate, pois ele não envolve apenas a repressão. Há impedimentos legais, além do número de consumidores em escala ascendente.
Definir posições sem uma discussão profunda é prematuro, mas o país não pode se esquivar de levar a questão à mesa, sobretudo o Congresso Nacional, nem que seja para dizer não à liberação. O que ocorre nos EUA é resultado de outra cultura, mas, num mundo globalizado, é impossível ignorar tentativas que estão sendo feitas em outros países.











