LONGA JORNADA
Na entrevista concedida à Tribuna e publicada na edição de domingo, o subsecretário de Políticas Antidrogas de Minas Gerais, Cloves Benevides, deixou claro que não há fórmula pronta para combater as drogas. Num depoimento lúcido sobre o atual cenário do país, apontou ações ora em desenvolvimento e enfatizou a importância do trabalho coletivo. Não basta esse ou aquele setor tomar providências, quando o conjunto é que pode dar bons resultados. Com uma fronteira seca com mais de 15 mil quilômetros, o Brasil enfrenta o problema de combater a entrada dos produtos, pois, por mais preparada que esteja, a Polícia Federal não dá conta de tanta demanda e de tanto território. O crack, o mais difundido, já alcançando 1,8% da população brasileira, é importado, mas chega aos usuários.
Benevides cobra ações da Polícia Federal, mas não se ilude ao destacar que existem outros focos de problema. O país, de fato, ficou muito tempo engessado numa discussão sobre o usuário de maconha e não percebeu que o crack mudou o perfil e mudou até mesmo as perguntas a serem feitas. A droga é uma questão de segurança, mas também de saúde pública, porque seu impacto nos cofres públicos é cada vez maior.
A série apresentada pelo repórter Guilherme Arêas tem o viés pedagógico de não ficar apenas no declaratório, mas também de levantar soluções já em curso e outras tantas que precisam sair do papel. Ao longo da semana, ficou claro que a combinação de fatores é a única forma de levar o processo de enfrentamento às drogas adiante. E, nesse aspecto, o papel da família é vital, não só por ser a primeira a sofrer o impacto do consumo, mas também por ser a base de formação da cidadania. Uma família desestruturada é fonte primária de diversos problemas, sobretudo as drogas. Daí, a importância de esta ser um dos focos das políticas públicas que se fazem necessárias.










