REDUTO ELEITORAL
Na reunião ordinária da última quinta-feira, o vereador José Fiorilo (PDT) protestou contra a iniciativa do também vereador Noraldino Júnior (PSC) de fazer requerimentos envolvendo demandas de seu reduto eleitoral. Ele acusou o colega de trabalho de invadir seu território, no que foi redarguido tratar-se apenas de um apelo popular colhido na internet. Motivos à parte, o evento é apenas uma clara demonstração de que a sucessão já está em curso. Os vereadores, embora mantenham uma convivência cordial, e é isso que se espera, sabem que, a partir do ano que vem, é cada um por si, já que todos são adversários, inclusive dentro das próprias legendas.
A ação e a reação dos dois vereadores fazem parte do jogo, mas é necessário não ultrapassar limites definidos pela ética. Ao cidadão, não importa o patrocinador, e sim o atendimento ao seu pedido, o que é próprio de um sistema em que a intermediação política tornou-se vital para a implementação dos projetos. Em tese, os legislativos são formados para fiscalizar e elaborar leis, mantendo o equilíbrio entre os poderes, mas na prática o discurso é outro, ainda mais quando a base governista é ampla, exigindo jogo de cintura do Executivo e poder de barganha dos partidos. Nesse cenário, seja vereador, deputado estadual ou federal, e até mesmo senador, o papel principal é de agenciador.
Em Brasília, principalmente, as ações parlamentares são desenvolvidas por cerca de cem deputados, ficando a maioria à mercê de orientações. Ante esse papel secundário, os deputados do baixo clero se tornam despachantes, passando mais tempo nos gabinetes oficiais do que no plenário, numa clara distorção de suas funções. Por conta disso, quando há invasão de território, a crítica se acentua, pois o político de mandato legislativo sabe que, sem outra alternativa, o melhor a fazer é cobrar obras, algo que não dá para dividir em período eleitoral.










