OLHAR NO AMANHÃ
Ainda hoje, graças às urnas eletrônicas, que acabaram com o longo processo de apuração, que durava dias, os brasileiros vão conhecer os vencedores do segundo turno tanto na corrida presidencial quanto nos estados em que a decisão ficou para essa nova rodada. Independentemente de quem vença, o olhar deve se voltar para o futuro, uma vez que há desafios imensuráveis pela frente, além da expectativa sobre qual país emergirá das urnas: um país dividido ou conciliado, consciente de que a campanha já terminou?
Os últimos dias foram duros, sobretudo no embate presidencial, no qual os principais atores, Dilma Rousseff e Aécio Neves, fizeram confrontos memoráveis, mas, ao mesmo tempo, além dos limites da razoabilidade. Há quem diga fazer parte do jogo, mas outros entendem que o eleitor ficou à mercê de um confronto em que seu futuro foi o que menos contou. Foi um ciclo em que a palavra de ordem foi desconstrução.
Já a partir de amanhã, entre comemorações do eleito e os lamentos de quem ficou pelo caminho, é necessário abrir a discussão sobre os próximos passos. Um deles, certamente, será insistir em reformas importantes, como a tributária, que por algum momento passou pelos palanques, e, sobretudo, a reforma política, que todos viram ser necessária, embora esteja dormindo nas gavetas do Congresso há algum tempo.
O Executivo que emergirá das urnas terá pela frente um Congresso com quase 30 partidos, algo impensável em qualquer democracia, por conta do jogo de interesses que estará na mesa. A reforma precisa ser esse filtro, impondo cláusulas para se ter um parlamento com legendas com viés ideológico – mesmo que represente grupos de interesse -, e não apenas siglas de balcão, que surgem em campanha.











