NOVOS DESAFIOS


Por Tribuna

26/09/2013 às 07h00

Embora segurança e saúde sejam temas estratégicos, a mobilidade urbana tornou-se o grande desafio dos governos. As cidades, logo depois do boom econômico, aumentaram suas frotas acima das expectativas, criando um passivo que é possível ver até mesmo em municípios de menor porte: mais carros do que ruas, fazendo do trânsito um problema grave, em vez de solução. As metrópoles estão quase parando, a despeito das diversas tentativas de mudança.

O conjunto de ações apresentado pelo prefeito Bruno Siqueira, com a implantação de sete quilômetros de faixas exclusivas para ônibus, é uma iniciativa louvável, pois prioriza o transporte de massa, um dos principais gargalos pelo país afora. Além disso, a Zona Norte será espaço de experiência para o bilhete único para integrar linhas – uma das promessas de campanha -, dando margem a um novo ciclo, já que permitirá o uso adequado dos ônibus, sobretudo pela população mais carente.

A prioridade pelo transporte público deve ser seguida pela eficiência. A mudança de perfil econômico do brasileiro alterou também as relações de consumo: hoje, não se cobra apenas quantidade mas também qualidade. Um transporte público dentro de padrões que atendam a essa nova demanda certamente induzirá, automaticamente, à redução do fluxo de automóveis, pois boa parte dos usuários do sistema urbano optaria pelo ônibus, se houver eficiência, além de linhas que atendam às suas necessidades.

Para isso, porém, é fundamental não só mudar o perfil do transporte mas também educar a população. Hoje, por conta das galeras, o usuário discute, também, a segurança do transporte coletivo, que, vira e mexe, é afetado por enfrentamentos, sobretudo nos bairros, pelos chamados donos dos espaços, que não permitem a passagem de adversários em seus territórios. Embora seja essa uma questão de segurança, a combinação de fatores poderá mudar o perfil da cidade, tornando-a referência na mobilidade.