ASSIM NÃO DÁ
Entre as várias razões para se discutir a reforma política – tema que passou longe dos palanques da atual campanha – está a distorção do papel dos partidos, especialmente as chamadas siglas de aluguel, que colocam até as grandes legendas na parede por conta de acordos em torno, entre outras questões, do tempo na televisão. Nanicos dentro do Congresso, mas gigantes na mobilização, fazem de presidentes reféns, exigindo cargos e ministérios em troca de apoio.
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o empresário Abílio Diniz foi peremptório em advertir que, desta forma, o Brasil é ingerenciável. E há sentido na sua observação. Os governos, sejam eles do PSDB ou do PT, para ficar nestes dois que governam o país há 20 anos, são obrigados a todo tipo de barganha. Numa situação como essa, o país chegou a 39 ministérios, embora com a metade deles seja possível governar. Mas quem não cede não administra.
Embora minoria no Congresso, esses partidos barram uma agenda positiva que começaria com a cláusula de barreira, pela qual a legenda, para ter direitos a repasses de verbas, teria que ter, no mínimo, 5% dos votos nacionais. Também impedem outros temas que já se fazem necessários na jovem democracia brasileira.
Mas ainda levará tempo. Basta perguntar aos deputados e senadores em que pé está a reforma política discutida na Câmara e no Senado. A comissão especial apresentou apenas mudanças pontuais, que soaram como perfumaria, sem, no entanto, entrar nas grandes questões. Nesse balcão de negócios, o Executivo também tira suas vantagens, fazendo da política um grande acordo, no qual o único a perder é o eleitor, por ficar ausente nessas negociações.











