VALE O MARKETING


Por Tribuna

26/08/2012 às 07h00

A primeira semana da propaganda eleitoral não trouxe novidades nos discursos. O viés de promessas se mantém ativo nas discussões, e, quando se trata da corrida para a Câmara, a situação ainda é mais crítica, já que boa parte dos candidatos anuncia ações próprias do Executivo, num claro desconhecimento do papel do vereador. Por conta disso, a audiência da propaganda tende a ser baixa, pois o eleitor, se tem curiosidade nos primeiros dias, já sabe que tudo continuará no mesmo compasso, com programas repetitivos e sem qualquer novidade.

Na corrida pelas prefeituras, há muito o debate deixou de lado o viés político para se enquadrar às regras do marketing. Os marqueteiros, em vez dos candidatos, passaram a ser a figura principal, enquanto a discussão abriu espaço para as pirotecnias, fazendo da propaganda eleitoral um show. Como são apresentações estanques, não há debates, ficando estes reservados para os veículos de comunicação. E nem todos realizam tais encontros, que acabam ficando, de modo saudável, por conta de entidades representativas.

Quando disputava o Senado, em 1974, Itamar Franco ganhou visibilidade estadual ao chamar – dentro do horário eleitoral – o seu adversário, José Augusto, para um debate, o que não ocorre hoje, além de nem haver espaço para isso dentro da propaganda eleitoral. Provocado durante toda a campanha – os programas eram gerados em Belo Horizonte -, ele aceitou o desafio e compareceu ao estúdio, pegando seu adversário de surpresa, por não esperar tal atitude. Itamar falou sozinho. Por este e por outros fatores, começou a sua brilhante carreira nacional.

A propaganda eleitoral tornou-se um flagelo para os segmentos mais carentes, que não têm canais por assinatura. Em vários países, a começar pelos EUA, os candidatos podem ir ao rádio e à televisão, mas pagam por isso, flexibilizando a audiência para aqueles que, de fato, estão interessados no processo.