BATATA QUENTE


Por Tribuna

26/06/2013 às 07h00

Num momento em que fazer previsões tornou-se um exercício de incertezas, dizer que a presidente Dilma Rousseff acertou ou errou na convocação de governadores e prefeitos, na última segunda-feira, é prematuro, pois os fatos é que falarão por si. Em rede nacional, ela anunciou cinco pactos e colocou no colo do Congresso um pepino e tanto: a convocação de uma Constituinte exclusiva para tratar da reforma política. Houve aplausos e questionamentos, porque a chefe do Governo teria jogado para a plateia num momento tão crítico. Afinal, constituintes são convocadas pelo Legislativo e não pelo Executivo. Ademais, os juristas divergem sobre seu alcance. Para alguns, ela pode ser restrita, mas a maioria tem apontado que Constituinte não tem limites, podendo mudar tudo.

A questão é saber como a opinião pública vai reagir. Para hoje, salvo mudanças de última hora, estão agendadas novas manifestações, sobretudo em Belo Horizonte, onde a Seleção Brasileira se apresenta pela Copa das Confederações. As ruas, certamente, não vão refluir de uma hora para outra, mas será o primeiro teste após o discurso da presidente em rede nacional.

Os pactos apresentados são a prova material da ineficiência dos governos e do Congresso, pois apontam para demandas que estes deveriam ter cumprido há tempos. A mobilidade é um tema recorrente na agenda das ruas, pois o cidadão vive a situação diária de andar apertado em ônibus, trens e metrôs. Ele também passa pela dificuldade diária de horas esperando o transporte ou correndo o risco de assaltos na sua rotina. As filas na saúde e a falta de médicos também fazem parte do seu dia. Presidente, governadores e prefeitos sabem disso, sendo, pois, os pactos apenas constatação de sua surdez.

Mas há avanços quando todos se propõem a tomar providências. O Congresso, principalmente, deve sair da letargia que o acomete há várias legislaturas, em que questões nacionais são deliberadamente jogadas no segundo plano. A reforma política é o principal exemplo. Já entrou e saiu da pauta por dezenas de vezes. Agora, com a batata quente posta pela presidente, algo terá que ser feito. E já.