OLHAR NO FUTURO
Em 17 de dezembro de 1893, quando o governador Augusto de Lima encaminhou a questão da escolha da capital de Minas ao Congresso Mineiro, reunido em Barbacena, a vencedora foi Belo Horizonte. Juiz de Fora estava no páreo e não foi contemplada com o título, mas, já a partir daí, entrou na relação dos municípios mais expressivos do estado. Era uma cidade jovem, emancipada há apenas 43 anos, mas com vocação para ser líder. Às vésperas de completar 163 anos, o município ainda coleciona desafios. Um deles, o próprio futuro, sobretudo no campo econômico, que tem sido o vetor das metrópoles.
Nesta edição, a Tribuna apresenta a revista Cenário 2013, um diagnóstico dos dez últimos anos de Juiz de Fora e da Zona da Mata, contemplando as ações para o desenvolvimento da cidade e da região. Nem tudo foi boa notícia: a indústria, a despeito dos esforços do setor, encolheu, e só agora se rearticula para ocupar seu espaço. Por outro lado, serviços e comércio cresceram e deram um novo vetor para Juiz de Fora, uma cidade que já foi polo cafeeiro e de malharias com a Manchester Mineira.
Os municípios vivem desafios diários ante as novas demandas, próprias da pós-modernidade, e Juiz de Fora não é exceção. Como Cenário mostra, há inúmeros projetos que contemplam não apenas o município, mas toda a Zona da Mata, ante a constatação – um pouco tardia, aliás – de que não basta o crescimento isolado da cidade-polo. Ele tem que ser conjunto, a fim de garantir políticas públicas capazes de contemplar a população de forma adequada, e não apenas concentrá-las numa só região, como hoje ocorre. Boa parte das demandas de educação, serviços e, especialmente, saúde se concentra em Juiz de Fora. Daí, o risco de comprometimento dessas próprias ações.
Uma nova geração de políticos, empresários e lideranças comunitárias tem um novo olhar, que se expressa nas metas propostas para os novos tempos. Cenário contribui com essa perspectiva ao fazer um amplo diagnóstico desses últimos dez anos, apontando não só o que foi feito, mas também inações que comprometeram o futuro. No entanto, como a cidade tem vocação para vencer, a aposta continua sendo positiva, na certeza de que é possível virar o jogo.











