AÇODAMENTO DAS URNAS


Por Tribuna

26/03/2013 às 07h00

A antecipação do debate eleitoral pela Presidência da República tem repercussões também na disputa estadual, embora os mineiros, ao contrário da campanha federal, na qual os atores já são conhecidos e estão em campo, ainda não saibam quem vai disputar a cadeira de Antonio Anastasia. Há questões a serem resolvidas dentro dos partidos que impedem o açodamento. O PMDB ainda não definiu se lança o senador Clésio Andrade ou se apoia o ministro Fernando Pimentel, nome mais cotado pelo PT.

Cenário semelhante ocorre em outras legendas. Os tucanos, atuais donos da cadeira, ainda não têm um nome consolidado, embora o deputado Marcus Pestana, presidente do diretório estadual, e possivelmente reeleito, seja o nome mais cotado, por sua proximidade do senador Aécio Neves. Mas ele ainda tem demandas a superar, inclusive dentro do Palácio, já que o vice-governador, Alberto Pinto (PP), é pré-candidato desde o momento em que assumiu o posto de número dois do Estado.

As implicações desse cenário são articulações de bastidores, nas quais os prefeitos de cidades-polo são atores a serem conquistados, como é o caso do juiz-forano Bruno Siqueira (PMDB). Sua eleição teve o viés típico do quadro político em que os partidos fazem alianças pontuais. Bruno é do PMDB, mas obteve apoio dos tucanos no segundo turno. Seu partido, porém, é aliado do PT na instância federal, o que cria um dilema que ele, corretamente, acha prematuro definir: fica com os tucanos, por conta de Minas, ou com os petistas, em função do Governo federal?

A precipitação da cobrança é natural, mas nada obriga o prefeito a tomar uma decisão agora, sob o risco de colocar em xeque investimentos que podem vir da capital mineira e de Brasília. Por outro lado, em se tratando de política, há uma lógica própria, na qual a indecisão costuma, em vez de ajudar, comprometer a liberação de recursos, algo de que Juiz de Fora, mais do que nunca, está precisando.