DEDOS E ANÉIS
Às vésperas do Natal, a presidente Dilma Rousseff apresentou 13 novos membros do seu ministério, contemplando partidos aliados fruto de uma necessidade própria do poder: não dá para governar sem os partidos da base. E para tê-los na coalizão é preciso ceder espaços. Trata-se de um ritual que se repete a cada mudança ou continuidade da guarda, uma vez que não há outro caminho senão ceder os anéis para não perder os dedos. A presidente, mesmo mostrando por gestos e atitudes ser pouco afeita a esse jogo, também teve que fazer indicações políticas.
Numa democracia com mais de 30 partidos instalados no Congresso Nacional, a formação da base aliada distanciou-se do viés ideológico ou programático. Os ministros, em alguns casos, não têm qualquer identidade com a pasta que vão ocupar, mas é do jogo, pois suas legendas assim definiram. Enquanto o mesmo Congresso não mudar as regras, dando fim, principalmente, a essa sopa de letras, não haverá outra alternativa.
O pior desse enredo é a constatação unânime de governistas e oposição de que, enquanto perdurar essa fragmentação, o balcão partidário vai continuar. As propostas de reforma política resvalam nessa questão, mas não há avanços. A cláusula de barreira, um meio adequado para esse filtro, sequer entrou nos projetos ora em tramitação tanto na Câmara quanto no Senado. Desta forma, a presidente, mesmo a contragosto, terá que governar com estranhos, indicados pelos aliados no fatiamento do poder.











