ESPECTROS URBANOS
As festas de fim de ano, ainda bem, não produzem apenas o frenesi das compras, mas também arrefecem os espíritos, induzindo o homem – mesmo por instantes – a voltar-se para si e avaliar o que realizou no ciclo que termina. Mais do que isso, é tempo de perspectivas, de promessas, metas e outras ações futuras que, em boa parte, ficam apenas no campo das especulações. Mas vale a pena, pois é possível, às vésperas do Natal, efetivar reencontros, rever conceitos e até conciliar impasses forjados no dia a dia.
Nesse mote, a Tribuna foi às ruas para verificar o sentimento de atores que são meros espectros urbanos da rotina da cidade, mas também parte da História. Há surpresas, pois, atrás de rostos que não são reparados, há fortes conteúdos de esperança, de angústia e até de conformismo. São personagens que, no dia a dia, são vistos e não são vistos ao mesmo tempo. Estão nas esquinas, no trânsito que engarrafam com suas carroças e nos cruzamentos pedindo ajuda. Pena que o sentimento que os revela suma tão logo a cidade volte ao seu ritmo. E eles, mesmo dentro desse cenário, retornam ao anonimato.
A lição a ser tirada é o longo caminho que o país ainda tem que seguir para superar as demandas sociais. Mesmo com todos os avanços – e não são poucos -, ainda há um passivo que incomoda, que se desdobra em outras mazelas. A solidariedade é vital, mas cabe ao Estado o principal papel de abrir oportunidades, criar empregos, ampliar a educação e garantir acesso irrestrito à saúde. Só assim será possível mudar.










