NOVO PERFIL


Por Tribuna

25/09/2012 às 07h00

A semana que terminou foi pródiga em pesquisas. A mais ampla, o Pnad, fez um completo diagnóstico da sociedade brasileira, estabelecendo uma estratificação que confirmou, entre outros pontos, o novo perfil da classe média, agora mais consumidora e com profundas transformações, se comparada com alguns anos atrás. E é por conta dessa grande mudança que o país precisa discutir suas novas demandas, algo, até agora, feito de modo precário. O setor produtivo estaria preparado para essa nova demanda? O mercado atende a esse segmento de modo adequado? Provavelmente, não. Basta avaliar a situação dos serviços de defesa do consumidor. Estão fazendo hora extra, sobretudo depois de grandes eventos como as festas de fim de ano. A situação mais emblemática envolve as operadoras de telefonia móvel. Vendem mais do que podem entregar, sendo, pois, as campeãs de reclamações.

Este, no entanto, não é o único ponto a ser considerado. Com a nova classe média também mudaram os hábitos, sobretudo da juventude. Com acesso cada vez maior às redes sociais, não se prende mais ao seu meio. Hoje, por conta da internet e, por meio dessa, das redes sociais, o diálogo tornou-se global, criando e refazendo atitudes. O lado bom é a migração da informação, o que facilita o diálogo. O lado perverso é o uso inadequado de tais ferramentas, como é comum ver nos encontros marcados por galeras para seus enfrentamentos.

A despeito de todos esses avanços, os jovens continuam tirando suas diferenças pela forma mais arcaica. Usam a força física – quando não as armas – em vez do argumento. O desafio dessa mesma sociedade é estabelecer limites, não censura, para que esses mesmos jovens assimilem a mudança e façam dela, positivamente, um elemento de crescimento pessoal e do próprio meio. E é aí que entram novos componentes, como o Estado, na promoção de educação adequada, e a família, etapa inicial de toda estrutura social.